
Tácio LorranColunas

Contra permanência de diretor, servidores boicotam evento da Abin
Diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, foi indiciado pela PF no âmbito das investigações da Abin Paralela; servidores pedem saída dele
atualizado
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O clima de insatisfação dos servidores e oficiais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com a permanência do diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, à frente do comando do órgão ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (5/9), um dia antes do Dia do Profissional de Inteligência.
Além da ausência do próprio Luiz Fernando Corrêa na solenidade convocada pela Abin ter repercutido negativamente na categoria, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado (Intelis) convocou uma Assembleia-Geral Extraordinária (AGE) – com distribuição de lanche –, no mesmo horário, às 10h, com objetivo de boicotar a agenda oficial.
O auditório da Abin, com capacidade de 300 lugares, estava esvaziado. É o que contou, sob reserva, pessoas que participaram da agenda oficial. Enquanto isso, a Intelis promoveu encontro entre os servidores, e pediu que os participantes usassem roupas pretas. A coluna procurou a Abin para comentar a ausência de Luiz Fernando Côrrea, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta.

Como mostrou a coluna em junho, servidores da Abin estão em greve como forma de protesto à permanência do diretor-geral no cargo após o indiciamento pela Polícia Federal no âmbito das investigações do caso conhecido com “Abin Paralela”.
A PF indiciou Luiz Fernando Corrêa por impedir ou embaraçar a investigação de infração penal que envolva organização criminosa pela participação ativa na “estratégia conjunta”, por prevaricação e por coação no curso do processo diante do assédio moral e da intimidação cometidos contra ex-corregedora e servidores.
Delegado da PF, Luiz Fernando Corrêa foi indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023.
Servidores da Abin estão insatisfeitos com Lula e Rui Costa
Servidores da agência de inteligência contaram à coluna que a categoria está revoltada com o que chamaram de “descaso” da atual gestão. Eles alegam que a inteligência está parada. “Sem chefe e sem diretriz”.
A insatisfação tem endereço certo na Esplanada dos Ministérios: o Palácio do Planalto. A categoria se sente desprestigiada pelo presidente Lula e pelo ministro da Casa Civil. Sob a gestão petista, desde 2023, a Abin está sob o guarda-chuva da pasta comanda por Rui Costa.
A rusga se estende também à Polícia Federal (PF), uma vez que os servidores da Abin se sentem preteridos.
A categoria reclama que o prédio da Abin em Brasília está às moscas, mais especificamente infestado de pragas, como baratas, ratos e escorpiões. “Presidente e ministro”, diz um servidor, “nunca se dirigiram aos servidores da Abin”. “Enquanto isso”, continua, “o presidente vai inaugurar prédio de inteligência da PF no Norte!!”.

