
Paulo CappelliColunas

Servidores da Abin cobram saída do chefe da agência após indiciamento
Servidores pedem que Abin volte a ser comandada por profissionais da casa após a PF indiciar o diretor-geral da agência
atualizado
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A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) divulgou nota pública nesta segunda-feira (17/6) cobrando a saída imediata do diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e de sua cúpula, após a Polícia Federal (PF) indiciá-lo no inquérito que investiga o funcionamento da chamada “Abin Paralela”.
No documento, a entidade expressa “indignação diante da permanência, no comando do órgão central do SISBIN, de pessoas acusadas de obstrução de justiça”.
Segundo os servidores, “é inadmissível que indivíduos sobre quem pesam acusações graves de obstrução de justiça continuem ocupando cargos de comando na Abin”.
Os servidores sustentam que “o próprio diretor-geral afastou de cargos servidores orgânicos que eram apenas citados nas investigações” e afirma que, “pela mesma lógica, não pode ele próprio se manter no cargo máximo da agência”.
A Intelis também critica a condução da Abin por delegados da Polícia Federal e recorda que Alexandre Ramagem foi impedido pelo STF de assumir a Direção-Geral da PF durante o governo Bolsonaro.
“Vale lembrar que o delegado Ramagem foi impedido de assumir o cargo de diretor-geral da Polícia Federal no governo anterior, mas pôde retornar para reassumir a Direção-Geral da Abin”, diz o texto.
Para os servidores, a recondução representou “mais um grave descaso com a principal agência de inteligência do país”.
A entidade argumenta a defesa de que a Abin deve ser liderada por quadros de carreira.
“Alertamos uma vez mais, esperando não sermos novamente ignorados: é imperioso que a Abin seja gerida por profissionais de inteligência orgânicos.”
A nota foi publicada no mesmo dia em que a PF concluiu a investigação e indiciou o vereador Carlos Bolsonaro, o deputado federal Alexandre Ramagem e Luiz Fernando Corrêa sob acusação de comandarem o uso ilegal de um sistema de espionagem para monitorar adversários políticos, autoridades públicas e jornalistas. O esquema teria funcionado durante o governo Bolsonaro com o uso do software israelense FirstMile.
Atualização:
Ao contrário do que foi divulgado inicialmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não foi um dos indiciados, nesta terça-feira (17/6), pela Polícia Federal no caso da “Abin paralela”. Fontes da PF confirmaram ao Metrópoles o equívoco na informação repassada à imprensa. O relatório da investigação detalha que Bolsonaro teria se beneficiado com o caso, mas, por uma questão técnica, segundo a PF, ele ficou de fora da lista de indiciados.
Os demais suspeitos de envolvimento, como o filho do ex-presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o ex-diretor da Abin, deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), o atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e outras 31 pessoas seguem entre os indiciados.







