
Tácio LorranColunas

Saiba quem ficou de fora da lista de indiciados da CPMI do INSS
Relator não viu provas suficientes e poupou políticos e empresas de indiciamento no relatório final da CPMI do INSS
atualizado
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O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) livrou uma série de possíveis envolvidos do indiciamento no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS). O relator apontou “material probatório inconclusivo” e mandou a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) aprofundarem as investigações.
Confira a lista:
- Onyx Lorenzoni (PP): ex-ministro do Trabalho e Previdência. O relatório cita o recebimento de uma doação de campanha de R$ 60 mil do ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB) Felipe Macedo Gomes e o trabalho do filho, Pietro Lorenzoni, como advogado para a União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap), outra entidade envolvida;
- Wolney Queiroz (PDT): atual ministro da Previdência Social. Entre as provas, há fotos de reuniões com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em janeiro de 2023;
- André Valadão: pastor, cantor e líder da Igreja Batista da Lagoinha. É mencionado pela ligação com a entidade religiosa;
- Leila Pereira: presidente da Crefisa e do Palmeiras. Além de faltar a dois depoimentos marcados na CPMI do INSS, é citada por supostas irregularidades no atendimento e coação para abertura de contas;
- Fabiano Zettel: empresário, pastor, operador financeiro e cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ligado à Igreja da Lagoinha. O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), é acusado de blindá-lo perante a comissão, que não conseguiu aprovar as quebras de sigilo dele;
- Silas Câmara (Republicanos-AM): deputado federal. O relatório o caracteriza como o “fiador” do acordo entre a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), cujas empresas relacionadas teriam lhe pagado R$ 1,8 milhão, e o INSS;
- Milena Ramos Câmara: advogada e filha de Silas Câmara. A quebra de sigilo dela apontou movimentações financeiras atípicas, no valor de R$ 868 mil, com entidades associativas;
- Crefisa: empresa de crédito pessoal e alvo pelos empréstimos consignados com altos juros. Assumiu assumiu papel central no pagamento de benefícios previdenciários após uma licitação. “O modelo de negócio do banco Crefisa S.A., centrado na prospecção de crédito, seria estruturalmente incompatível com a capilaridade, neutralidade e qualidade exigidas de um serviço público de pagamento de benefícios”, escreveu o relator da CPMI do INSS;
- Igreja da Lagoinha: coluna revelou que Viana mandou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação dessa entidade religiosa;
- Banco Agibank: segundo o relatório, “o aplicativo do banco Agibank S.A. aparentemente interceptava ou redirecionava ligações destinadas à Central 135”;
- Banco Daycoval: firmar contratos e lançamentos de descontos sem solicitação dos beneficiários e indícios de fraude em empréstimos consignados, por exemplo;
- Banco Pan: ações potencialmente abusivas ao ofertar e operar empréstimos e cartão de crédito consignados;
- Facta Financeira: erros documentais, fragilidade dos mecanismos de validação e indícios de abuso na oferta de consignado;
- Santander: possíveis irregularidades formais, operacionais e de governança;
- BMG: o relatório aponta, por exemplo, o uso de cartão de crédito consignado com desconto mínimo na folha de pagamento, tornando a dívida praticamente impagável.

Gaspar apresentou o relatório final, com 4340 páginas, nesta sexta-feira (27/3), um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar a decisão do ministro André Mendonça que prorrogou a CPMI do INSS. O deputado federal indiciou 216 pessoas, incluindo Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda precisa analisar os indiciamentos.
