
Republicanos lança candidato foragido há um mês no Amapá
O candidato, que é alvo de mandado de prisão preventiva, foi anunciado para disputar vaga de deputado estadual no Amapá

O diretório do Amapá do Republicanos oficializou a candidatura de um procurado pela Justiça há um mês. Marcos Paulo Bertolo, anunciado para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amapá, tem mandado de prisão em aberto desde julho deste ano. O documento consta no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).
Marcos Paulo teve a prisão preventiva decretada em 13 de julho pela 3ª Vara Criminal e de Auditoria Militar de Macapá. Ele responde pelo crime de inserção de dados falsos em sistema de informação em caso relacionado a grilagem de terras.
Apesar de o processo tramitar em sigilo, o mandado apresenta trecho da decisão que decretou a prisão preventiva. Para determinar a medida, a juíza Alana Coelho Pedrosa considerou haver prova da materialidade e indícios de autoria delitiva para a medida, conforme indicado em inquérito policial.
“O réu não foi localizado, malgrado esforços neste sentido, o que atrai suspeitas de que está se evadindo do distrito da culpa, criando obstáculo à instrução processual e, de quebra, pondo em xeque a lei penal. O delito, abstratamente previsto, conta com pena máxima superior a 4 anos”, destaca.
A investigação, segundo o documento, apontou que Marcos Paulo teria inserido informações ideologicamente falsas no Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF), promovendo o registro de áreas pertencentes à União como se fossem de domínio particular. A fraude teria atingido áreas da Floresta Estadual do Amapá.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA confirmação do nome de Marcos Paulo Bertolo como candidato ocorreu em convenção realizada em 4 de agosto e registrada em ata enviada à Justiça Eleitoral.
Em nota, o Republicanos Amapá afirmou que não tinha conhecimento prévio das informações mencionadas a respeito do candidato e que está apurando a situação.
“No momento da apresentação da candidatura, as certidões e demais documentos apresentados pelo candidato estavam aptos, não havendo, até então, qualquer informação que impedisse sua indicação na convenção partidária”, frisou.
O diretório ressaltou ainda que, conforme as informações e a documentação de que o partido dispõe até o momento, não consta condenação que resulte em inelegibilidade ou que impeça o candidato de concorrer ao pleito.
Uma semana após a publicação desta reportagem, Marcos Paulo fez publicação nas redes sociais com esclarecimentos aos eleitores. No vídeo, ele nega que atualmente seja considerado foragido e diz que sua equipe jurídica já resolveu a situação.
“Tão logo eu soube da mídia e das redes sociais, eu tive o cuidado de acionar a nossa equipe jurídica para que tomasse pé da situação. E tão logo [a equipe jurídica ficou] sabendo, foi ao Judiciário para tentar saber o que era… o que era tão e simplesmente uma questão de localização”, afirmou.
O candidato disse ainda que o “problema foi resolvido e sanado”, e que não existe nenhum mandado de busca e apreensão ou de prisão em aberto contra ele. Marcos Paulo reforçou que segue trabalhando na campanha de deputado estadual.

Grilagem de terras
Marcos Paulo Bertolo foi denunciado em diversas ações penais por supostamente integrar e comandar organização criminosa formada por servidores públicos e particulares especializada em forjar a regularização de terras da União. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a descrevê-lo como “um criminoso contumaz”.
Marcos Paulo foi alvo da Operação Terras Caídas, deflagrada em setembro de 2018 pela Polícia Federal (PF), ocasião em que foi preso. As condutas dele também foram alvo da Operação Miríade, que investigava grilagem, e da Operação Conluio, que apurava esquema de fraude ao caráter competitivo de licitações em órgãos públicos.
Nos casos relativos à grilagem de terras, investigações apontaram que Marcos Paulo se valeu da condição de ser engenheiro agrimensor e responsável técnico credenciado junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para acessar banco de dados oficial e proceder registro fraudulento.











