Tácio Lorran

Quem é o Sheik do Bitcoin, que teve negócio milionário com Malafaia

Francisley Valdevino da Silva, o Sheik do Bitcoin, fez aporte de R$ 30 milhões para reerguer a Central Gospel do pastor Silas Malafaia

atualizado

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O empresário Francisley Valdevino da Silva, o Sheik do Bitcoin
1 de 1 O empresário Francisley Valdevino da Silva, o Sheik do Bitcoin - Foto: Reprodução

Suspeito de gerar prejuízo para milhares de investidores no Brasil e no exterior, ao criar empresas fraudulentas de criptomoedas, o empresário Francisley Valdevino da Silva, o Sheik do Bitcoin (foto em destaque), foi alvo de operação da Polícia Federal em outubro de 2022, poucos meses depois do fim da sociedade com o pastor Silas Malafaia. Conforme revelou a coluna, o empresário aportou R$ 30 milhões em uma empresa do líder religioso, segundo depoimento de uma testemunha-chave do processo que resultou na condenação de Francis.

O empresário de Curitiba (PR) foi condenado a 56 anos de prisão em outubro de 2024 pela Justiça Federal do Paraná (JFPR). Francisley era dono da Rental Coins e de outras 100 empresas, que movimentaram cerca de R$ 4 bilhões entre 2018 e 2022.

Segundo a PF, o Sheik do Bitcoin, que atualmente tem 40 anos, convencia as vítimas a investirem em uma de suas empresas com a promessa de um grande retorno, a partir da operação de criptomoedas. O esquema de pirâmide financeira teria prejudicado cerca de 15 mil pessoas, entre as vítimas estão vários famosos, como o ex-jogador do Corinthians Jucilei e a filha da apresentadora Xuxa, Sasha Meneghel.

A sociedade de R$ 30 milhões de Silas Malafaia e o Sheik do Bitcoin

Conforme revelou a coluna nesta segunda-feira (25/8), uma testemunha-chave do processo que resultou na condenação do Sheik do Bitcoin detalhou o início da parceria de negócios entre Silas Malafaia e o empresário de Curitiba.

No depoimento à Polícia Federal, o empresário Davi Zocal conta que o Sheik do Bitcoin aportou R$ 30 milhões para reerguer a Central Gospel, editora de livros de Malafaia que entrou em recuperação judicial em 2019.

Fundador da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, o pastor Silas Malafaia confirmou à coluna ter recebido o investimento milionário, no entanto, ponderou que tem a presunção de inocência e ressaltou que a parceria com Sheik do Bitcoin terminou antes mesmo dele ser denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Silas Malafaia e Francisley foram sócios na Alvox Gospel Livros Marketing Direto, uma loja digital com foco no segmento evangélico. A empresa foi aberta em maio de 2021 e encerrada em julho de 2022.

À coluna, o líder religioso explicou que o Sheik do Bitcoin “botou dinheiro na minha editora para comprar material, para me ajudar no momento mais difícil da minha recuperação [judicial]”. Malafaia, contudo, afirma não ter nada a ver com o esquema de pirâmide financeira orquestrado por Francis. “O que que eu tenho com os crimes de bitcoin, de moeda, de criptomoeda dele?”

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O pastor detalhou também como foi o início da parceria. “Quando você tem uma empresa em recuperação judicial, você não pode ter sócio. Esse cara, evangélico que ele era, abriu mais de 100 empresas legais, não laranja, com várias pessoas. E aí ele chegou para mim e disse: ‘Pastor, vamos abrir uma empresa de marketing multinível para a gente comprar produtos da editora, e a gente vende nessa empresa, fora as outras empresas que eu tenho, empresa de óculos, empresa de perfume’, um porrilhão de empresas que esse cara tinha”, explicou Malafaia.

“É bom informar que quando ele foi sócio comigo, ele foi sócio um ano. Não havia uma denúncia em Ministério Público e Polícia Federal contra ele”, prosseguiu.

Sheik do Bitcoin morava em mansão de R$ 64,5 milhões em Santa Catarina

Casa do Sheik do Bitcoin
Com sete andares, a mansão do Sheik do Bitcoin tem 17 suítes

Em outubro de 2022, a 23ª Vara Federal de Curitiba autorizou o sequestro de uma mansão avaliada em R$ 64,5 milhões, em Santa Catarina, pertencente ao empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido como Sheik do Bitcoin.

Conforme mostrou a coluna Na Mira, do portal Metrópoles, a mansão tem sete andares, 17 suítes com ar-condicionado, duas suítes presidenciais, sala de cinema para 15 pessoas, quatro salas de jantar – uma delas para 48 pessoas –, duas adegas, spa e elevador.

Na parte externa, o imóvel tem uma quadra poliesportiva, paredão rochoso de 16 metros com equipamentos de escalada, garagem coberta para 12 carros, sauna, jacuzzi com vista panorâmica e heliponto. A residência, no Condomínio Recanto dos Mares, a 50 km de Florianópolis, chegou a ser anunciada para venda.

Ator contratado por Sheik do Bitcoin se passava como dono de empresa

Uma das empresas do Sheik do Bitcoin é chamada Forcount. Ela foi fundada em 2015 e lançada no mercado em 2017. Para camuflar o verdadeiro dono do negócio, a companhia contratou um ator para se passar por Salvador Molina, o homem que se apresentava como CEO.

O dono verdadeiro, no entanto, conforme investigação feita por agentes dos Estados Unidos, em parceria com a PF, é Francisley. Em dois anos de mercado, a Forcount atraiu 30 mil investidores de vários países.

Além da estratégia de uso do ator, a empresa organizava eventos em diferentes partes do mundo, como Las Vegas, Punta Cana, Panamá e Dubai, para captar novos clientes, sempre com a promessa de “lucro garantido” nos investimentos em criptomoedas.

Quatro anos depois, no entanto, a verdadeira face do negócio começou a surgir, gerando prejuízos milionários para quem havia investido o próprio dinheiro no esquema.

Salvador Molina não existia. Ele era encenado pelo ator Nestor Nunes, nascido no Uruguai, mas que vivia no Brasil havia 36 anos, na região metropolitana de Curitiba. Ele chegou a participar de produções cinematográficas em inglês, português e espanhol.

O ator está preso nos EUA. Ele é réu na investigação desencadeada pela polícia norte-americana sobre o golpe aplicado pela Forcount. A apuração do Departamento de Segurança Interna do país concluiu que as promessas não passavam de esquema de pirâmide. Os investidores tiveram um prejuízo avaliado em US$ 50 milhões.

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