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Tácio Lorran

O componente chinês da canetinha "100% brasileira" da EMS

EMS diz que fabricante chinês é alternativa para garantir abastecimento e reduzir risco de descontinuidade da canetinha

15/06/2026 02:00, atualizado 14/06/2026 22:11
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O componente chinês da canetinha “100% brasileira” da EMS

A canetinha emagrecedora “100% brasileira” da EMS também contará com insumos da China.

No último dia 25 de maio, a Anvisa emitiu, a pedido da EMS, o Cadifa (Carta de Adequação de Dossiê de Insumo Farmacêutico Ativo) para validação da semaglutida de um laboratório chinês, o Sinopep-Allsino Biopharmaceutical.

No dia seguinte, a agência regularizou o registro do Ozivy, a caneta de semaglutida da EMS.

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Post da EMS nas redes sociais destaca "produção nacional" da canetinha emagrecedora
Fábrica da EMS em Hortolândia (SP)
Complexo industrial da EMS em Hortolândia (SP)
Sede do laboratório da EMS em Hortolândia
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Sede do laboratório da EMS em Hortolândia

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Post da EMS nas redes sociais destaca "produção nacional" da canetinha emagrecedora
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Post da EMS nas redes sociais destaca "produção nacional" da canetinha emagrecedora

Reprodução
Fábrica da EMS em Hortolândia (SP)
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Fábrica da EMS em Hortolândia (SP)

Divulgação/EMS
Complexo industrial da EMS em Hortolândia (SP)
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Complexo industrial da EMS em Hortolândia (SP)

Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
As empresas brasileiras pedem a certificação do processo de fabricação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) produzidos por laboratório estrangeiros quando pretendem importar essas substâncias para seu processo interno de fabricação.

Ou seja, a EMS demandou, e obteve da Anvisa, a certificação dos peptídeos que são o elemento base para a produção de suas canetinhas.

A movimentação da EMS junto à Anvisa contradiz a divulgação que vem sendo feita pela empresa a respeito da Ozivy, a caneta de semaglutida anunciada no fim de maio, e também da Olire e da Lirux, as canetas de liraglutida da EMS já disponíveis no mercado desde o ano passado. Essa divulgação ressalta que as canetas são “produção nacional”.

O mesmo discurso também vem do governo. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) destacou, em vídeo publicado nas redes sociais no mesmo dia do aval da Anvisa à Ozivy, que a caneta era “100% brasileira”.

Alexandre Padilha anuncia canetinha emagrecedora "100% brasileira"... com insumos feitos na Sérvia
Alexandre Padilha anuncia canetinha emagrecedora “100% brasileira”… com insumos feitos na Sérvia

A alegação já era desmentida por relatórios da EMS divulgados ao mercado, nos quais indicava, sem maior destaque, que as moléculas de liraglutida e semaglutida viriam de um laboratório da Sérvia, controlado pela EMS. Esses relatórios públicos, no entanto, omitem qualquer movimentação da EMS para a liberação de importação dos peptídeos fabricados na China.

A demanda pela semaglutida e liraglutida chinesas, portanto, pode indicar um gargalo no fornecimento via leste europeu. Em nota, a EMS explicou que a existência do fabricante alternativo amplia a segurança da cadeia de suprimentos, reduz riscos de desabastecimento e garante maior continuidade na oferta de medicamentos à população.

Leia a nota da EMS na íntegra:

“A Anvisa permite que um mesmo medicamento registrado tenha mais de um fabricante de insumo farmacêutico ativo (IFA), desde que cada fabricante e o respectivo insumo sejam previamente submetidos à avaliação e à aprovação da Agência, em conformidade com os requisitos técnicos, sanitários e regulatórios aplicáveis.

A aprovação regulatória de fabricantes alternativos de IFA é uma prática prevista na legislação sanitária e amplamente adotada pela indústria farmacêutica. Esse procedimento amplia a segurança da cadeia de suprimentos, reduz riscos de desabastecimento e garante maior continuidade na oferta de medicamentos à população.

A existência de mais de um fornecedor aprovado não significa que todos os fabricantes serão necessariamente utilizados na produção do medicamento. A definição sobre fornecedores efetivamente empregados na fabricação integra a estratégia industrial e operacional da empresa, sempre observados os parâmetros aprovados pelas autoridades sanitárias.

A utilização de IFAs produzidos por fabricantes internacionais é uma realidade estrutural da indústria farmacêutica global. Estimativas setoriais indicam que aproximadamente 97% dos IFAs utilizados na fabricação de medicamentos no Brasil são provenientes do exterior. Trata-se, portanto, de uma característica amplamente conhecida do setor e que não guarda relação com a nacionalidade do desenvolvimento tecnológico ou da produção industrial dos medicamentos.

No caso da EMS, o desenvolvimento do produto, a formulação, o registro sanitário, os processos produtivos, os controles de qualidade e os investimentos industriais são realizados no Brasil. A companhia utiliza exclusivamente fabricantes e insumos previamente avaliados e aprovados pelas autoridades sanitárias competentes, observando integralmente os requisitos de qualidade, segurança e eficácia estabelecidos pela regulamentação”.