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Tácio Lorran

MPF investiga OpenAI, do Chat GPT, devido a "busca por tesouros" na Amazônia

Concurso da dona do ChatGPT ofereceu prêmio de até US$ 250 mil para achar sítios arqueológicos inéditos; MPF abre inquérito contra OpenAI

06/07/2026 02:01
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Jonathan Raa/NurPhoto via Getty Images
Imagem do logotipo da OpenAI, criadora do ChatGPT. À frente, em destaque, um celular com o símbolo do ChatGPT - Metrópoles

O Ministério Público Federal (MPF) investiga a OpenAI, dona do Chat GPT, por promover uma suposta “busca por tesouros” na Amazônia.

A apuração se refere à competição “Open to Z Challenge“, capitaneada pela dona do Chat GPT com o objetivo de localizar novos sítios arqueológicos na região. O concurso foi lançado em maio de 2025 e pagou até US$ 250 mil para as pessoas encontrarem locais anteriormente desconhecidos usando as ferramentas de IA da empresa.

A iniciativa gerou críticas da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Advocacia-Geral da União (AGU) por supostamente ignorar as normas de pesquisa arqueológica.

ChatGPT
ChatGPT

Uma das violações apontadas é que comunidades indígenas e tradicionais não teriam sido consultadas sobre o uso de dados de suas terras.

Ainda segundo o Ministério Público Federal, o concurso visou “extrair conhecimento e trabalho gratuito de voluntários para treinar seus modelos de IA, em um projeto que lembra a ‘busca por tesouros’ em vez de ciência arqueológica”.

O MPF também prevê risco ao patrimônio nacional, com possível divulgação de coordenadas de sítios inexplorados, e ainda sem a devida proteção legal, que podem expor essas áreas ao saqueio e exploração ilegal.

Procurada, a OpenAI informou que está comprometida com o desenvolvimento responsável da inteligência artificial.

“Levamos questionamentos dessa natureza a sério e temos colaborado com as autoridades locais, para fornecer informações relevantes sobre o projeto. O ‘OpenAI to Z Challenge’ foi uma iniciativa online que utilizou IA e dados disponíveis publicamente para apoiar a pesquisa científica. A iniciativa não envolveu nem incentivou o acesso físico a áreas protegidas”, informou a dona do Chat GPT, em nota.

AGU notificou OpenAI e Iphan analisa danos ao patrimônio arqueológico do país

O Iphan informou à coluna que a preocupação manifestada pelo órgão em pareceres técnicos se refere, especificamente, à forma como a competição “OpenAI to Z Challenge” foi estruturada: com incentivo à identificação de novos sítios arqueológicos por pessoas sem habilitação profissional, metodologias adequadas e autorização da autarquia.

“Nesse contexto, sua realização poderia acarretar danos ao patrimônio arqueológico brasileiro em razão do risco de saqueamento, vandalismo e outras ameaças”, explicou o Iphan. O órgão é responsável pela autorização de pesquisas arqueológicas em território nacional e pelo cadastro de sítios, como estabelecido pela Lei 3924/61.

“O Iphan acompanha o tema de perto e já enviou manifestações ao Ministério Público Federal e buscou contato institucional com a organizadora do evento para obter esclarecimentos sobre o tratamento dos dados sensíveis a respeito dos novos sítios arqueológicos e a compatibilidade da iniciativa com a legislação e as normas brasileiras de proteção ao patrimônio cultural”, explicou o Iphan.

A autarquia ressaltou ainda que não se opõe ao uso de IA ou de tecnologias de sensoriamento remoto para fins de pesquisa arqueológica, “mas ela deve ser utilizada com cautela e sempre em conformidade com os instrumentos normativos do órgão e com o que é aceito pela comunidade científica.”

Já a Advocacia-Geral da União disse que expediu notificação extrajudicial à OpenAI para que apresentasse esclarecimentos, em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa.

“Os esclarecimentos foram encaminhados ao Iphan para análise técnica. Atualmente, o procedimento encontra-se em fase de análise.”