TCU investiga deputado do PL por empregar mulher e 3 parentes
Na representação, o MP junto ao TCU afirma que as evidências no gabinete do deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) são de “extrema gravidade”

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) pediu que a corte “apure com rigor” nepotismo no gabinete do deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO). Conforme revelou a coluna, o parlamentar de Rondônia empregou a companheira, a cunhada e dois concunhados. Mais de R$ 2,1 milhões já saíram dos cofres da Câmara dos Deputados para bancar as remunerações deles.
O TCU informou à coluna, nesta terça-feira (11/11), ter abero um processo a partir da representação do Ministério Público.
O MP-TCU descreve que a exoneração dos contratados não exime o parlamentar e os envolvidos “de responderem pelos atos praticados” em razão do uso “indevido de recursos públicos”. O deputado informou à coluna ter exonerado os familiares um dia após ser questionado sobre a situação.
“Nesse processo, deve ser comprovada a efetiva prestação de serviços pelos familiares contratados, sob pena de condenação solidária pelo valor global despendido. A ausência de comprovação da prestação de serviços configura enriquecimento ilícito e dano ao erário, ensejando a responsabilização dos envolvidos e a devolução integral dos valores aos cofres públicos”, escreveu o subprocurador-geral do TCU Lucas Furtado.
Na representação ao TCU, ele afirma ainda que as evidências são de “extrema gravidade” e que o caso representa “uma afronta direta aos princípios fundamentais que regem a Administração Pública”, a exemplo da moralidade, impessoalidade e eficiência. “Os indícios de que o deputado tenha utilizado recursos públicos para beneficiar seus familiares são alarmantes”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNesse sentido, Lucas Furtado declarou que Coronel Chrisóstomo, “enquanto parlamentar eleito pelo povo, deveria ser o exemplo máximo de conduta ética e respeito às normas constitucionais”. “O exemplo deve vir de cima, e os parlamentares, como representantes do povo, têm o dever de agir com a mais alta integridade e respeito às leis que juraram cumprir e fazer cumprir”.
O subprocurador requer ainda que o TCU investigue o caso, uma vez que, o nepotismo praticado pelo deputado federal pode configurar improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
“A utilização de recursos públicos para fins pessoais, em benefício de familiares, não apenas desrespeita a legislação vigente, mas também compromete a legitimidade do mandato parlamentar, podendo ensejar a cassação do mandato, conforme previsto no artigo 55, inciso II, da Constituição Federal, em caso de procedimento incompatível com o decoro parlamentar”, listou o membro do TCU.
As medidas recomendadas pelo MP ao TCU sobre nepotismo no gabinete do deputado do PL
- Conhecer e apurar os atos e registros relacionados às nomeações e remunerações dos familiares do Deputado Coronel Chrisóstomo no gabinete parlamentar, ante indícios de prática de nepotismo com destinação de mais de R$ 2,1 milhões em recursos públicos ao pagamento de salários de familiares do Deputado;
- Verificar a conformidade das nomeações dos familiares do Deputado Coronel Chrisóstomo com as normas que regem a Administração Pública, especialmente a Súmula Vinculante nº 13 do STF, o enunciado do TCU sobre união estável e a Resolução nº 1 de 2007 da Câmara dos Deputados;
- A se confirmar os fatos, diligenciar a fim de verificar se os nomeados indevidamente ante prática de nepotismo serão exonerados;
- Adotar das medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos, caso sejam confirmadas as irregularidades, incluindo a aplicação de sanções administrativas, civis e penais, conforme previsto na legislação vigente;
- Determinar a instauração de tomada de contas especiais pelo TCU para ressarcimento ao erário dos valores indevidamente pagos, caso seja comprovado o uso irregular de recursos públicos, exceto em caso de comprovação efetiva da prestação do serviço;
- Recomendar à Câmara dos Deputados para reforçar os mecanismos de controle interno e prevenir a ocorrência de práticas de nepotismo e outras irregularidades no âmbito dos gabinetes parlamentares e;
- Encaminhar cópia da presente representação e da decisão que vier a ser proferida ao Ministério Público Federal para adoção das medidas de responsabilização de sua competência.

Veja quem são os parentes nomeados no gabinete do deputado Coronel Chrisóstomo
Sozinha, a companheira dele, Elizabeth Dias de Oliveira, abocanhou mais da metade desse valor: R$ 1,2 milhão. O casal, que vive um relacionamento discreto e longe dos holofotes, declarou manter uma união estável desde 1º de janeiro de 2022, de acordo com certidão obtida pela coluna. Nascida em Planaltina (GO), a secretária parlamentar, de 32 anos, está lotada no gabinete desde abril de 2020, antes da formalização do relacionamento em cartório. Desde então, foi promovida até alcançar o topo da faixa salarial do cargo: a remuneração bruta chegou a R$ 18.719,88, mais auxílios.
Elizabeth levou a irmã caçula, Naara Star de Oliveira Souza Dias, para o gabinete em julho de 2022. Desde então, a cunhada de Coronel Chrisóstomo, de 25 anos, obteve R$ 386,5 mil em remunerações – com o mais recente valor bruto fixado em R$ 8.772,24. A nomeação ocorreu como Cargo de Natureza Especial (CNE), a função obriga o funcionário a bater ponto na Câmara.
No mesmo mês, a concunhada Gabriela Aparecida de Lima Oliveira entrou para o gabinete. A primeira passagem pela Câmara, de julho a outubro de 2022, começou com salário de R$ 1.991,91 como secretária parlamentar. Mas o holerite dela saltou para R$ 13.437,29 em junho de 2023, quando voltou a trabalhar com o concunhado como CNE – um aumento de 574,5%. Ao todo, os rendimentos dela na Câmara já ultrapassaram R$ 532,7 mil até o momento.
A família, que tem raízes em Sobradinho (DF), angariou um novo integrante para o gabinete em 27 de agosto: o secretário parlamentar Luy Ferreira Sobral, de 28 anos, namorado de Naara. Assim como Elizabeth, ostenta o topo salarial. A única remuneração disponível dele supera R$ 23,8 mil, o equivalente a um salário bruto de R$ 18.719,88, mais auxílios, referente apenas à folha de pagamento de setembro.




























