
MP pede impugnação de candidato do RJ condenado por saidinha de banco
Diego Alba, candidato à Alerj pelo PSDB, foi condenado por "saidinha de banco" em 2009 e responde à outra ação por estelionato

O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) a impugnação da candidatura de Diego José Alba Taboada à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pelo PSDB. A coluna revelou em junho deste ano que Diego Alba foi condenado pelo crime de “saidinha de banco” em 2009.
O pedido de impugnação ocorreu no dia 16 de agosto. Segundo o MP, o candidato tem “vinculação estrutural” com organização criminosa armada e não poderia disputar as eleições.
O principal argumento apresentado pelo órgão é uma condenação criminal de Diego Alba, confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Rio, por quadrilha armada. O processo teve origem em uma investigação sobre uma quadrilha especializada em “saidinhas de banco”. Na época em que o caso foi revalado pela coluna, o candidato do PSDB disse que cumpriu a pena pena e que segue cumprindo suas obrigações de cidadão comum e trabalhando de maneira regular. Leia a íntegra ao final do texto.
De acordo com a documentação citada na ação, Diego Alba teria uma função permanente no esquema: permanecia dentro das agências bancárias para monitorar a movimentação dos clientes e repassava informações, em tempo real, por celular aos demais integrantes que estavam do lado de fora.
A Procuradoria afirma ainda que a investigação foi reforçada por depoimentos de policiais civis e vigilantes, pela apreensão de uma pistola calibre 380, municiada e com numeração suprimida, e por registros de ligações entre os integrantes do grupo. Para o MP, esses elementos demonstraram “a estabilidade da organização criminosa, a permanência dos envolvidos e a divisão de tarefas no esquema”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAlém da condenação, a ação cita outros episódios envolvendo o candidato. Diego Alba foi denunciado em uma ação penal federal por dois roubos contra uma agência da Caixa Econômica Federal, mas acabou absolvido após a principal testemunha se retratar em juízo. Ele também foi denunciado em outros três processos por roubo majorado, nos quais foi absolvido por insuficiência de provas.
O MP também menciona uma investigação por estelionato e quadrilha na qual o candidato do PSDB aparece como envolvido. O caso também foi revelado pela coluna.
A Procuradoria Regional Eleitoral sustenta que, segundo entendimento consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a “Constituição impede não apenas a participação direta de organizações criminosas na política, mas também sua interferência indireta por meio de candidatos apoiados, designados ou integrantes desses grupos”.
Na época em que a reportagem foi publicada pela coluna, Diego Alba disse:
“Fui absolvido em todas as instâncias no processo de 2015 pela ausência de provas — razão pela qual foi declarada a minha inocência. O processo de 2016 está em andamento e confio que os fatos serão esclarecidos junto à Justiça, também provando a minha inocência. No processo de 2009, fui condenado e cumpri a pena, depois extinta por decisão judicial. Desde então, sigo cumprindo minhas obrigações de cidadão comum e trabalhando de maneira regular”.













