Juíza manda ouvir deputado sobre rachadinha de funcionária de Hugo Motta
Ivanadja Lima, chefe de gabinete de Hugo Motta, é acusada pelo MPF de incorporar salário pago pela Câmara a funcionário fantasma

A Justiça Federal determinou que o deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB) preste depoimento sobre suposto esquema de rachadinha, revelado pela coluna, envolvendo a atual chefe de gabinete do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Ivanadja Velloso Meira Lima (foto em destaque) responde a uma ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em outubro de 2023. Ela é acusada de movimentar a conta de um então funcionário fantasma na época em que os dois trabalhavam com Wilson Santiago.
A oitiva determinada pela Justiça Federal trata especificamente desse caso.
A coluna revelou, contudo, que o mesmo modus operandi se estendeu após Ivanadja Lima passar a trabalhar no gabinete de Hugo Motta, a partir de 2011. Ela é a atual chefe de gabinete do parlamentar e detém procurações para sacar salários e movimentar valores das contas de 10 funcionários e ex-funcionários da Casa. Alguns desses trabalhadores acumulam indícios de serem fantasmas.
Wilson Santiago será ouvido no processo como testemunha. O deputado foi arrolado por Ivanadja Lima para produção de provas. O pedido dela foi acatado pela juíza Maria Cecília de Marco Rocha, da 9ª Vara Federal Cível, no último dia 17.
Funcionário fantasma não sabia quanto ganhava nem número de sua conta
De acordo com a ação do MPF, Ivanadja Lima “incorporou, livre e conscientemente, verba pública federal ao seu patrimônio particular, durante o período de novembro de 2005 a novembro de 2009, em razão da nomeação de Francisco Macena Duarte no cargo de secretário parlamentar do deputado federal Wilson Santiago enquanto Francisco nunca prestara efetivamente serviços na Câmara dos Deputados, resultado em prejuízo comprovado ao erário federal”.
Ao mesmo tempo em que estava lotado no gabinete de Wilson Santiago, Francisco Macena era motorista na Prefeitura Municipal de Poço de Dantas (PB), com jornada semanal de 40 horas, ou seja, oito horas por dia.
Em depoimento ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), o motorista disse que não tinha noção do valor que recebia como funcionário da Câmara dos Deputados e que nem sequer conhecia Brasília. Francisco Macena disse também que “não sabe dizer qual era a conta [que recebia o salário da Câmara]”, alegando um “branco na cabeça”, e que não lembra se possui o cartão ou número da conta.

Entre 2005 e 2009, a Câmara dos Deputados pagou R$ 224 mil ao funcionário fantasma.
Ivanadja tinha uma procuração em seu favor, assinada por Francisco Macena. Na prática, o documento dava poderes para a chefe de gabinete emitir cheques, efetuar saques e movimentar valores em nome do funcionário fantasma, conforme comprovam documentos obtidos pela coluna.
O que diz a atual chefe de gabinete de Hugo Motta
Em sua defesa apresentada no âmbito da ação, Ivanadja Lima alegou que não há uma única prova nos documentos que compõem o processo de que ela teria enriquecido ilicitamente ou mesmo causado dano ao erário.
“Inexiste prática de ato de improbidade por parte da contestante, uma vez que a promovida não auferiu rendimentos ilícitos. Não há qualquer comprovação de que esta tenha realizado o mencionado saque, mas mera presunção”, prosseguiu a defesa da atual chefe de gabinete de Hugo Motta.
“Ademais, ainda que tenha sido a autora do saque, esta se deu de modo legítimo, pois, a pedido do primeiro promovido, a contestante detinha procuração com poderes específicos para realizar transações bancárias em prol do então servidor, primeiro promovido”, prosseguiu a funcionária de Hugo Motta.
A coluna tentou contato com o deputado Wilson Santiago, mas não houve retorno.





































