Tácio Lorran

Farra do INSS: escritório de advocacia era usado para pagar deputada

Dinheiro precisava passar por escritório de advocacia para ocultar pagamentos à deputada do Ceará envolvida na Farra do INSS

atualizado

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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Advogada Cecília Rodrigues Mota, presa na Operação Sem Desconto, que investiga a Farra do INSS
1 de 1 Advogada Cecília Rodrigues Mota, presa na Operação Sem Desconto, que investiga a Farra do INSS - Foto: Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O escritório da advogada Cecília Rodrigues Mota (foto em destaque), alvo da operação da Polícia Federal desta terça-feira (17/3) que investiga a Farra do INSS, era usado para pagar a deputada Maria Gorete Pereira (MDB-CE) e outros investigados

“Nas mensagens enviadas por NATJO para CECÍLIA, aquele determina a ela que, com o fim de ocultar os pagamentos ilícitos, abrisse contas do escritório de advocacia que ela possuía em quatro estados distintos para distribuir os pagamentos”, diz trecho da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Natjo de Lima Pinheiro é apontado como um dos líderes do esquema criminoso. Ele e a advogada Cecília Mota foram presos nesta terça-feira. Foram cumpridos também 19 mandados de busca e apreensão.

A Polícia Federal indica que Cecília Mota controlava fluxos financeiros provenientes dos descontos fraudulentos e elaborava planilhas de pagamentos ilícitos. Como contraprestação por suas atividades, recebia percentuais fixos da arrecadação ilícita.

“CECÍLIA, do que apontado pela Polícia Federal, utilizava sua sociedade de advocacia para ocultar valores e emitir notas fiscais por serviços inexistentes. Além de fracionar movimentações financeiras, utilizava empresas e terceiros para ocultação patrimonial”, relata André Mendonça.

Em uma das mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Natjo explica à deputada federal Maria Gorete porque era importante que o dinheiro não fosse repassado de forma direta para a parlamentar.

“Oi, Deputada. Deputada, é porque a CECÍLIA é escritório de advocacia. Escritório de advocacia, eu acho mais legítimo, tem mais…. Não é, no palavreado, mas tem moral para mandar o dinheiro, entendeu? Do que mandar da associação para a senhora. Não é melhor? O escritório de advocacia está passando para a senhora, então eu estou preservando as coisas. Acho melhor ficar do jeito que está”, diz a mensagem.

Em seguida, Maria Gorete responde: “Então, meu filho, você que sabe”.

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