Receita da estatal de "chips de bois" não paga nem ações trabalhistas
Ceitec faturou R$ 7,5 milhões com venda de semicondutores, enquanto gastou R$ 8 milhões com processos trabalhistas contra a estatal

A receita bruta do Ceitec, estatal vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e que é conhecida por produzir chips para bois, não é suficiente para pagar nem mesmo os processos trabalhistas movidos contra a empresa, muito menos a folha de pagamento dos funcionários.
Em 2025, o Ceitec registrou faturamento bruto de R$ 7,5 milhões. No mesmo ano, a estatal gastou R$ 8 milhões com sentenças judiciais de pessoal, de acordo com o balanço financeiro da estatal.
Já as despesas com salários, encargos e benefícios de funcionários do Ceitec somaram R$ 35,6 milhões, quase cinco vezes a receita bruta da empresa.

Com sede em Porto Alegre (RS), o Ceitec só para de pé graças à chamada subvenção, que são os recursos públicos injetados pelo governo federal. A estatal recebeu R$ 68 milhões em subvenção do Tesouro Nacional ao longo do ano passado.
Tem sido assim desde a criação da estatal, em 2008.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA empresa havia sido incluída no programa de privatização do governo de Jair Bolsonaro (PL). O Tribunal de Contas da União (TCU), no entanto, paralisou o processo em razão de problemas jurídicos e, em 2023, o presidente Lula (PT) assinou um decreto que reverteu o processo de dissolução societária do Ceitec.

Por conta desse processo, a empresa não registrou faturamento em 2022 e 2023.
Já em 2025, o portfólio de produtos foi composto pelos chips de identificação por radiofrequência (RFID) para os segmentos logístico, animal e veicular. A estatal, contudo, tem buscado focar na produção de dispositivos de potência em carbeto de silício, visando mercados de energia renovável (eólica/fotovoltaica) e automotivo (carros elétricos).




