Emenda para jogos de Free Fire pagou empresa da produtora de Dark Horse
Firma de Karina da Gama recebeu R$ 160 mil de ONG beneficiada com emenda. Empresária é dona pela Go Up, que produz filme sobre Bolsonaro

Uma emenda parlamentar indicada pelo deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) foi usada para pagar R$ 160 mil a empresa ligada à produtora do filme “Dark Horse”, longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A firma é administrada por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment.
A emenda de Bilynskyj beneficiou o Instituto Máximo Realiza com R$ 1 milhão para viabilizar campeonato do jogo mobile de tiro “Free Fire” em São Paulo. A entidade do terceiro setor, por sua vez, usou cerca de R$ 160 mil para o pagamento da empresa GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda, que tem como única sócia-administradora Karina da Gama.
A emenda foi indicada por Bilynskyj ao Orçamento de 2024, mas a quantia foi paga pela União ao Instituto Máximo Realiza apenas em setembro de 2025. O repasse ocorreu após a ONG e o Ministério do Esporte celebrarem termo de fomento.
A contratação da empresa de Karina da Gama pela entidade ocorreu em outubro de 2025. A GO7, conforme relatório, foi contratada para realizar a gestão geral do evento, coordenação, produção executiva, palestras e operacionalização estratégica.
Em relatório final enviado ao Ministério do Esporte em março, a ONG afirma que todas as contratações foram realizadas mediante processo seletivo transparente, com análise técnica e documental das propostas apresentadas, garantindo aderência ao plano de trabalho aprovado e às exigências do termo de fomento.
O projeto, que consistiu em um campeonato de Free Fire, foi realizado entre 6 a 21 de dezembro do ano passado em São Paulo (SP). Segundo relatório, a iniciativa contou com a participação de 600 jovens.
Em nota, o gabinete do deputado federal Paulo Bilynskyj afirmou que a emenda parlamentar foi destinada ao apoio de atividades relacionadas ao segmento de e-sports, observando todos os requisitos legais e procedimentos aplicáveis à sua indicação e execução.
“Cabe destacar que a atuação do parlamentar se limita à destinação do recurso público para a finalidade prevista. A execução dos valores, bem como eventuais processos de contratação de fornecedores e prestadores de serviço, são de responsabilidade exclusiva da entidade beneficiária, observadas as normas legais e os mecanismos de controle pertinentes”, ressaltou.
O gabinete afirma ainda que o deputado federal Delegado Paulo Bilynskyj não possui participação ou ingerência na seleção, contratação ou gestão dos fornecedores eventualmente contratados pela instituição responsável pela execução do projeto.
Procurada pela coluna, Karina da Gama afirmou que a contratação da GO7 ocorreu de forma regular para a prestação de serviços especializados no projeto “Jogo é para Todos: Inclusão e Desenvolvimento através do E-Sport”, incluindo coordenação, produção, comunicação, logística e contratação de profissionais necessários à execução do objeto, conforme demonstram o contrato, as notas fiscais e a prestação de contas.

“O fato de sua sócia, Karina Ferreira da Gama, também atuar em outros empreendimentos privados, como a produção do filme The Dark Horse, não possui qualquer relação com este contrato. São atividades independentes, com objetos, recursos e gestões distintas”, completou em nota.
A coluna procurou a ONG, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.
Dona de produtora
Karina Ferreira da Gama é dona da Go UP Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse. A empresária também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades beneficiadas com emendas parlamentares e contratos com a administração pública.
No início do mês, endereços de Karina Gama e da produtora responsável pelo filme Dark Horse foram alvo de operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga suspeita de fraude envolvendo licitação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB.
Como mostrou o Metrópoles, as autoridades suspeitam que recursos teriam sido desviados do contrato para a produtora Go Up Entertainment Ltda, controlada por Karina, para subsidiar a produção do filme Dark Horse.





















