Dono da Cimed é acusado de copiar fórmulas de seis produtos bucais
Segundo queixa-crime, a fórmula de seis produtos foi obtida sob promessa de fusão da Suavetex com o o grupo Cimed, o que não se concretizou

O empresário João Adibe, presidente e controlador do grupo Cimed, é acusado de utilizar informações técnicas obtidas durante uma negociação de sociedade para lançar seis produtos de higiene bucal com formulações desenvolvidas por outra empresa.
As Indústrias Suavetex — fabricante de itens de higiene pessoal — apontam que, após obtidas as fórmulas, João Adibe teria cancelado a marca sob a qual os produtos seriam lançados (Carmed 12 horas) e rompido as comunicações, bem como teria registrado outra fábrica por meio da qual foram lançados o produtos na linha Super.
A Suavetex registra que, em dezembro de 2025, os produtos foram lançados “com os mesmos códigos de barras e a mesma composição”. Na queixa-crime, a fabricante aponta crimes contra a propriedade industrial a sete integrantes do grupo Cimed, entre eles o diretor-presidente João Adibe.
A empresa também pede indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais. O valor dos danos materiais deverá ser apurado posteriormente. Na petição, a Suavetex cita uma projeção de João Adibe segundo a qual a categoria de higiene bucal da Cimed poderia alcançar R$ 1 bilhão em vendas ao consumidor em 2026.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Suavetex sustenta que o desenvolvimento dos produtos destinava-se à “fabricação futura pela sociedade prometida por João Adibe”. As fórmulas teriam sido passadas à Cimed com a finalidade de registrar perante a Anvisa os produtos que, na associação prometida, ela fabricaria sob a marca Carmed e a Cimed distribuiria e venderia.
A petição aponta que, em agosto de 2025, Adibe comunicou à Suavetex o cancelamento da marca sob a qual os produtos seriam produzidos. Isso ocorreu após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a joint venture entre o grupo Cimed, o Grupo Globo e a Joatinga Capital LTDA, empresa do apresentador Luciano Huck.
A defesa da Suavetex, inclusive, arrolou como testemunha o apresentador, por ocupar função de membro do Comitê de Marketing e Mídia da Cilab S.A. e de representante da Joatinga Capital Ltda. Roberto Marinho Neto, membro do Comitê de Marketing e Mídia da Cilab S.A. e herdeiro do Grupo Globo, também é indicado como testemunha.
Em setembro, a Suavetex, conforme a petição, aceitou proposta de João Adibe para a aquisição da totalidade de seu capital por R$ 120 milhões, e o grupo Cimed obteve nova rodada de informações. Poucos dias depois, no entanto, Adibe teria parado de responder os contatos.
Em outubro do ano passado, a Cimed teria notificado a autoridade sanitária os mesmos seis produtos, mas sob a marca Super e declarou a Icefresh Indústria e Comércio do Brasil Ltda como fabricante.
“Os acusados agiram em concurso de agentes, cada um na esfera de sua função e todos voltados ao mesmo fim: obter da querelante as formulações sob a promessa de sociedade e passar a fabricá-las e explorá-las sem ela”, aponta a queixa-crime.







