
Tácio LorranColunas

Cobrança de Flávio a Vorcaro ocorreu um mês antes do início de gravações
Gravação de filme sobre Jair Bolsonaro começou em 20 de outubro de 2025
atualizado
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria cobrado repasses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, cerca de 42 dias antes do início das gravações do filme “Dark Horse”, produção que retrata a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil retratam cobrança pelo financiamento do banqueiro em 8 de setembro, portanto, antes dos inícios da gravação, em 20 de outubro. Em áudio, o senador disse que o filme estava em um momento “muito decisivo”.
“Como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e preocupado com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme”, afirmou em áudio enviado ao dono do Banco Master em 8 de setembro.
“Então, se você puder me dar um toque e uma posição aí, Daniel… A gente precisa saber o que faz da vida. Porque já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é reta final que a gente não pode vacilar, não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, por que se não a gente tudo, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo”, afirmou.
Segundo o site, as tratativas envolviam um repasse de US$ 24 milhões, o que equivalia a R$ 134 milhões na cotação da época. A reportagem aponta ainda que foram efetivamente pagos U$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
A filmagem da produção começou em 20 de outubro em um hospital em Indianópolis (SP). A gravação, conforme a previsão inicial, se estenderia por mais 35 dias.
A reportagem do Intercept aponta que, após a cobrança, Flávio Bolsonaro e Vorcaro seguiram com o contato. Em 22 de outubro, Flávio diz que estariam “no limite”, em referência ao filme. “Mais uma vez, com toda a liberdade que temos, se não der me fala que procuro urgente outro caminho”, escreveu. Daniel Vorcaro respondeu: “Deixa comigo irmão, vou ver agora”.
Em nota, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que se tratou de “um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.
O senador ressaltou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro “já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. Segundo ele, o contato foi retomado quando houve atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou ainda.
