
Tácio LorranColunas

Careca do INSS pagou manutenção de jatinho usado por senador Weverton
PF afirma que enriquecimento do Careca do INSS “foi viabilizado por suporte político” do senador Weverton (PDT-MA)
atualizado
Compartilhar notícia

As despesas com a manutenção de uma aeronave é mais uma prova usada pela Polícia Federal (PF) para mostrar a ligação do senador Weverton (PDT-MA), vice-líder do governo Lula, com o lobista e empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
O lobista usou duas empresas dele para pagar R$ 15 mil em peças ao Aeroclube do Maranhão, entre agosto e dezembro de 2024, para manutenção da aeronave usada pelo político maranhense.No total, foram R$ 3 mil mensais com as despesas, sendo quatro transações da Acca Consultoria e uma da Prospect Consultoria.
Conforme revelou a coluna, Weverton Rocha fazia uso de um jatinho particular de R$ 2,8 milhões para traslado da capital federal até o Maranhão. A reportagem fotografou o senador duas vezes saindo da aeronave.
Segundo a Polícia Federal, o Careca do INSS era “sócio oculto” da aeronave juntamente com o advogado Erik Vieira Monteiro Marinho, atual suplente do senador Efraim Filho (PB-União), que não é investigado.
O jatinho pertence no papel à Air Connect SA, da empresária Joelma dos Santos Campos, mulher de Erik Marinho. A PF identificou que o Careca do INSS enviou R$ 1 milhão para ela. Segundo os investigadores, a transação indica que o lobista era sócio oculto da aeronave, uma vez que não aparece formalmente como proprietário do bem.
Apesar de ter sido eleito na Paraíba, Erik Marinho mora em São Luís e tem participado de eventos ao lado de Weverton Rocha no Maranhão. O senador do PDT já chamou o aliado de “amigo advogado” durante sessão do Senado em setembro de 2024.
Segundo a PF, Erik Marinho “mantém relação direta com diversas empresas e pessoas associadas ao núcleo empresarial-político da organização criminosa centralizada” pelo Careca do INSS.

A PF também identificou que Antonio Carlos Camilo Antunes enviou R$ 1 milhão para a dona de um jatinho. A mulher é esposa de Rusado pelo senador Weverton (PDT-MA). A transação, segundo a Polícia Federal, indica que o lobista era sócio oculto da aeronave, uma vez que não aparece formalmente como proprietário do bem.
Em conversa com a coluna, ainda em setembro, o senador Weverton alegou que pega “carona” na aeronave e que jamais voou ao lado do Careca do INSS. Ele acrescentou ainda os deslocamentos ocorrem dentro da “absoluta normalidade” e que lamenta profundamente “o modo como estão tentando vincular meu nome a essa caso dos desvios do INSS que condeno tanto”.
Ao depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no dia 25 de setembro, o Careca do INSS foi questionado sobre o uso da aeronave. O pivô da fraude dos descontos indevidos explicou naquela ocasião, que “na aviação executiva, tem um profissional chamado broker, que representa várias oportunidades de voo, que pode falar ‘tem um voo saindo daqui para lá, daqui para outro canto’. Geralmente, quando eu necessitei utilizar, foi por tempo e porque não tinha vaga disponível ou senão o preço da passagem era superior à locação de uma cadeira dentro de um voo desses”.

Em dezembro passado, dois endereços do senador Weverton, em Brasília e no Maranhão, foram alvo de mandado de busca e apreensão durante nova fase da operação Sem Desconto.
Na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação, a PF cita Weverton como “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” do Careca do INSS.
Os investigadores também afirmaram que o parlamentar era “sócio oculto” como beneficiário final do esquema de fraude dos descontos indevidos de segurados do INSS. A PF pediu prisão de Weverton, mas PGR e STF negaram.
Procurado nessa quinta-feira (12/3), o senador Weverton informou que “todas as perguntas devem ser direcionadas ao proprietário da aeronave”. Ele não esclareceu em quais condições usava o jatinho ligado ao Careca do INSS. Erik Marinho, por sua vez, não retornou aos contatos da reportagem.
































