
Trump ameaça o Brasil. Estaria querendo Lula eleito no primeiro turno?
Presidente norte-americano claramente confunde Eduardo com Flávio... Faz sentido. Naquela patuscada no Salão Oval, não entendeu quem é quem

“Jogam pesado [no Brasil). Mas ninguém joga mais pesado do que os Estados Unidos.” Esse é Donald Trump numa entrevista depois da reunião do G7.
Estaria este senhor disposto a garantir a vitória de Lula no primeiro turno? Poderia nos ajudar a economizar um bom dinheiro. É preciso usar, às vezes, “a pena da galhofa” para chamar a atenção para determinados absurdos. Já à “tinta da melancolia” eu sempre resisto quando se trata de questões públicas. Acho esnobe entediar-se por qualquer coisa que não diga respeito ao bem divino…
Voltemos.
É claro que se trata de uma ameaça. A esta altura, não há por que duvidar de que o Imperador do Norte, certamente estimulado por Marco Rubio, está decidido a interferir no processo eleitoral por aqui.
Sei que a extrema direita e seus acólitos ficam chateados, mas o confronto eleitoral deste ano se dá em duas chaves principais: “democracia X golpismo” — Flávio Bolsonaro nunca retirou a ameaça de uso da força contra o Supremo, feita no dia 14 de junho em entrevista à Folha — e “soberania X entreguismo”: o Zero Um ofereceu as terras raras e o Pix a Trump, como revelou Eduardo em entrevista há três semanas.
Trump, como se sabe, tem pressa e muita coisa lhe interessa, mas nada tanto assim, como naquela música do Kid Abelha — de volta em shows comemorativos —, desde que se lhe deem alguns jogos de guerra e que o bucaneiro possa ganhar alguns milhões jogando com a sorte dos povos, incluindo o norte-americano. Acaba de levar uma sova do Irã. O saldo de sua expedição, em companhia de Netanyahu, o carniceiro genocida, é o fortalecimento interno da teocracia militarista iraniana e o enfraquecimento da oposição naquele país. Além do desastre econômico. Obra de gênio.
Trump, claro!, estava mal informado sobre o Brasil ao fazer a ameaça. Marco Rubio, o reaça cada vez mais tarado por intervenções militares, deve ter feito um resumo porco do que acontece por aqui, e como é de seu feitio, entre o TDA e o TOD, o Imperador do Norte entendeu tudo pela metade, meio atrapalhado, aos pedaços. Foi o bastante para excitar a sua libido da intervenção e da destruição. Inventou até um tal “Bolsonaro Jr.” Jesus! Temos o que chega dessa espécie, não é?, todos jacas inequívocas da mesma jaqueira, mas não há um… Júnior. É provável que tenha confundido Eduardo com Flávio.
E mandou ver:
“E o Brasil se tornou um país um pouco complicado, certo? Politicamente. Ficou um pouco perigoso do ponto de vista político. Você está falando do Brasil, não é? Tem sido algo desagradável (…) Ouvi dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [de Lula], e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Prenderam-no, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele”.
Eduardo não teria sido preso ainda que estivesse no Brasil porque ainda cabe recurso, que vai perder. Lula não tem nada com isso porque não interfere nas decisões do Supremo. Ao falar em pesquisas, parece claro que estava se referindo a Flávio… Entendo que não tenha tido tempo para distinguir quem era quem naquela patuscada do Salão Oval. Sabem como é… Servindo, todos os ratos são pardos, especialmente quando negociam os interesses do país com o gato.
Lula deve ter sido informado da ameaça, não aludiu diretamente a ela, mas afirmou na entrevista:
“Eu só espero que ele [Trump] não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema deles e não meu.”
Volto à galhofa.
Pois eu espero que Trump decida recomendar aos brasileiros que votem em Flávio porque só um “Bolsonaro Jr.” poderia assegurar que os interesses norte-americanos seriam devidamente atendidos. E a gente economizaria uns trocos.


