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Reinaldo Azevedo

Plano era posar de Davi com cabeça de Golias. E Cármen não é Leão XIV

Moraes venceu a parada do dia. Se Fachin tiver um mínimo de bom senso, retoma a questão apenas depois da eleição

15/09/2026 23:50, atualizado 16/09/2026 00:29
Plano era posar de Davi com cabeça de Golias. E Cármen não é Leão XIV
Plano era posar de Davi com cabeça de Golias. E Cármen não é Leão XIV

Encerrada a sessão do STF, mesmo sem resultado definitivo, há uma certa demanda para saber qual grupo saiu vitorioso. Postas as coisas como andam a dizer por aí, respondo: por ora, o de Alexandre de Moraes, e direi por que é inequívoco. Pra começo de conversa, o que se planejava hoje era algum falso Davi de ocasião a oferecer a cabeça de Golias — no caso, a do terrível Xandão. Não foi ele a tremer o beiço. Mas há mais. Já chego lá.

Parece que alguns ministros do governo Lula, por exemplo — que falaram em off a Igor Gadelha, deste Metrópoles, e a Bela Megale, de “O Globo” — discordam. Não sei obviamente quem são os dois, mas posso imaginar sem margem de erro. O presidente deveria lhes dar um “Cala a Boca, Magda!” — aquela que confundia “confusão” com “contusão”. Não fico adivinhando fontes alheias, mas há “offs” assinados. Isso explica algumas burrices em curso. Adiante.

“Ah, quem perdeu foi o Brasil…” Bem, queridos, eu não entro nesse “Paradigma Cármen Lúcia”, que pediu “perdão” aos brasileiros, nas pegadas do papa Leão XIV, que, na encíclica “Magnifica Humanitas”, desculpou-se por ter a Igreja Católica legitimado a escravidão. Ele até ficou espantado (imagem). No que me cabe, recuso a oferta de Cármen. Esse Supremo não me deve “escusas”, como diria aquele ex-juiz de triste figura. Eu e os democratas temos de ser gratos a quase todos os ministros do tribunal pela defesa firme do estado de direito e pelo combate ao golpismo. Excetuo André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux porque resolveram se comportar como “supernannies” de golpistas. E, claro, nesse caso, Alexandre de Moraes merece honra especial.

Também sou grato ao tribunal por ter enfrentado um celerado durante a pandemia, naquele tempo em que o então advogado-geral da União, André Mendonça, defendeu a abertura de igrejas no auge da pandemia porque, segundo disse, “um cristão não mata por sua fé, mas pode morrer por ela”. Só se esqueceu de dizer que o mais pio dos homens não controla os vírus, mas pode SE CONTROLAR.

“Ah, então Xandão pode tudo?” Ninguém pode tudo. Nem Deus pode criar uma pedra que ele próprio não consiga carregar. Qualquer que seja o procedimento, Moraes também tem o direito ao devido processo legal, que lhe foi sonegado por Mendonça, com a cumplicidade de alguns.

Vamos ao resultado do dia. O placar está 4 a 3, com pedido de vista de Dino, para que tanto a PET de Fachin, que tomou decisões de cambulhada — onde se insere o relatório de Moraes sobre os desmandos de Mendonça — e a PET 16.662, que nasce de uma dupla nulidade, sejam apreciadas em conjunto. Flávio Dino, em dia brilhante (parece que os dois ministros “offeiros” discordam…), pediu vista. Não há como não formar um quatro a quatro.

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Como se cuida de matéria penal e como o alvo é Moraes — já que foi Fachin a definir esse ministro desse modo —, a coisa deveria se encerrar por aí. Mas digamos que, ainda assim, se vá avaliar a petição de Mendonça e votar a abertura ou não de processo penal. Bem, nem um nem outro votam, certo, Fachin, já que o senhor mesmo definiu o peticionário anti-Moraes como “parte”? Ou, nestes dias, excelência, a parte decide a sorte do seu alvo?

Caso se tome o resultado até aqui como antecipação de juízo final sobre abertura ou não de processo e dado que não votarão Kássio, Toffoli, Moraes e Mendonça, ter-se-ia um 3 a 3, e o processo não poderia ser aberto.

De toda sorte, a melhor coisa que teria a fazer o presidente da Corte é prestar atenção, como faria Santo Agostinho, à carraspana que levou de Flávio Dino para se ater ao devido processo legal e esquecer o alarido dos editoriais: “Mais vale quem me critica porque me corrige do que quem me adula porque me corrompe”. De resto, evite tumultuar a eleição com uma questão que pode perfeitamente ser tratada depois dela. Inexiste “periculum in mora”.

Até Kássio com K, presidente do TSE, admitiu o eleitoralismo da questão. É bem verdade que lhe soou também uma verdade conveniente para fugir dos “500 K/mês” que receberia Kevin com K. Quanto KKK nisso tudo!

Ah, eles até se preparavam para sair no retrato com aquela carinha ingênua de Davi de Caravaggio (imagem) a exibir a cabeça do terrível Golias. Mas não deu certo.