
Reinaldo AzevedoColunas

Flávio já tem a sua foto “manos-huevos” ao lado de Trump. Que feito!!!
Candidato do PL paga um mico fenomenal. Aquele que pretendia usar o encontro para “mudar a agenda” protagonizou apenas um ato constrangedor
atualizado
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Flávio Bolsonaro não é, definitivamente, o herói que serve de contraponto ao anti-herói do “eu-lirico” — ou “eu-abúlico” — de “Poema em Linha Reta”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Lá se lê:
“Toda a gente que eu conheço e que fala comigo/
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,/
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…”
Pois é… O Zero Um viveu mais um dia ridículo. Isso poderia até lhe emprestar um ar meio “gauche” — alô, Eduardo, não quer dizer “esquerdista”, hein? —, uma coisa, assim, que apela à nossa humana condição, entre o desastre e a glória… O abismo o contempla, claro! Já a grandeza…
Raramente vi coisa tão constrangedora na política como o “encontro” entre Flávio e Donald Trump. O presidente norte-americano permitiu duas cenas montadas para a fotografia. Numa delas, o pré-candidato do PL aparece naquela pose clássica, de quem segura o púbis… Não esquecer que “as bolas” de Jair Bolsonaro “falam” em “Dark Horse”. Tudo fica por ali, naquela terra devastada…
Na outra imagem, o pré-candidato do PL sustenta as mãos no mesmo lugar, à esquerda da imagem. À direita, está Eduardo, vivendo seu dia de “Pink”, emprestando aos próprios membros superiores a função de vizinhança com o bem…, órgão inferior. Atrás da cadeira de Trump, eis Paulo Figueiredo, o Cérebro. Sabem como é… No “Trivium”, quem fica no meio ocupa o lugar principal. Huuummm… Ousado, o “influenciador” de extrema direita apoia os braços no espaldar da cadeira do chefão.. Ops! Desculpe, Paulo. Talvez “Donny…” Sabe como é, gente, os caras são “chapas”.
Convenham… Esse cara sabe se vender. Aliás, um sócio seu num rolo imobiliário de R$ 45 milhões no Brasil, um tal Ricardo Siqueira Rodrigues, foi alvo da Polícia Federal nesta terça. O rapaz já chegou a fazer delação premiada no tempo do tal “petrolão”. O patriotismo é tão fanático que nem olha a qualidade dos seus parceiros.
O grande evento de Flávio com Trump durou uns cinco minutos, se tanto. O valente entregou um texto a seu chefe espiritual em que pede, segundo ele próprio, que organizações criminosas no Brasil sejam consideradas terroristas e foi só. No mais, a gente tem a foto do deslumbrado segurando o púbis e aquele arzinho de “Mamãe, veja onde estou”.
Os argentinos fazem blague de imagens “mano-cara”, aquela com a mão no rosto afetando profundidade. A deferência a Trump é de tal sorte que os irmãos optaram pela foto “manos-huevos”. Ou onde enfiá-las, como na musiquinha infantil?
Eis o candidato a governar o Brasil.
Ok. O candidato pode acrescentar a seu currículo: “Flávio Bolsonaro já fez uma foto ‘manos-huevos” ao lado de Trump.
Foi o grande feito deste dia.
Na entrevista coletiva, os jornalistas foram avisados: houvesse uma pergunta que não fosse sobre o encontro de cinco minutos com Trump, e o papo seria encerrado. Perfeito. A nova fase da marquetagem e da comunicação da campanha começa definindo o que a imprensa pode ou não perguntar. “Dark Horse” nunca mais…
Qual o meu conselho? Ora, que continuem assim: segurando os “huevos” na era das “talking balls”.
Não foi desta vez que Flávio entrou no rol dos homens imunes ao ridículo.