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Eleições 2026Reinaldo Azevedo

Fim da 6 X 1: neste dia 13, Flávio sente na nuca calor das ruas e faz o L

Na fala do candidato, “PL” vira “Partido de Lula”. Embora seja contra o fim da 6 X 1, diz votar a favor, mas não muito, se é que entendem

13/10/2026 22:13, atualizado 13/10/2026 22:54
Fim da 6 X 1: neste dia 13, Flávio sente na nuca calor das ruas e faz o L
Fim da 6 X 1: neste dia 13, Flávio sente na nuca calor das ruas e faz o L

O fim da escala 6 X 1 produziu nesta terça, dia 13, uma cena insólita na disputa presidencial. Depois de meses atacando a proposta defendida por Lula e pelo PL, Flávio Bolsonaro, filho de Jair e candidato do PL à Presidência, falou à imprensa e anunciou que resolveu “fazer o L”. Num discurso meio confuso, afirmou que votará em favor da proposta, embora, bem… ele seja contra. Disse, em entrevista:

“Eu tou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores brasileiros querem (sic) o fim da 6 X 1. Então eu vou votar a favor do fim da 6 X 1. Só que a gente defende algo ainda melhor sempre. Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar a sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de (sic) ‘home office’? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o seu filho e só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar de tarde? Vai continuar engessada a jornada dela. Mas eu acho que é um processo de evolução. Eu acho que a gente tem que buscar ali… Fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior, sim. Então, com o Flávio Bolsonaro, a gente vai votar a favor do fim da 6 por 1. E quem vai pagar essa conta vai ser o governo porque os empresários estão sufocados”.

Para o leitor que eventualmente tenha chegado de Marte: Flávio é senador pelo PL do Rio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato à Presidência contra Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O pai, que ele visitou antes de anunciar o voto, cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Tá ok?

Em 19 de maio, uma semana antes de a Câmara aprovar o texto, Flávio chamou o projeto de hipócrita e previu um apocalipse no emprego, alta do custo de vida e, ora vejam!, prejuízo aos próprios trabalhadores. A PEC foi aprovada na Câmara em 27 de maio, com o voto da maioria dos deputados do PL. A bancada já tinha feito o L antes, com medo das urnas.

Releia acima a transcrição da fala de Flávio. Nada ali faz sentido. Está explicado por que, depois de correr do debate com Renan Santos (Missão), agora resolveu fugir do confronto com Lula. Não vai comparecer ao debate da Band no domingo.

E olhem que o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da campanha de Flávio, é autor de uma proposta que troca o fim da 6 X 1 por jornada flexível, com pagamento por hora trabalhada. Flávio assinou o projeto. Nos dias 29 e 30 de agosto, vendeu a flexibilização como solução mais inteligente, o que repetiu nesta terça, embora anunciando voto favorável ao fim da 6 X 1…

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Mas fez uma ressalva: disse ser necessário compensar os empresários com verba pública. Seu programa de cortes de gastos está virando uma comédia de erros. Já escrevi aqui: ou ele engana “uzmercáduz” ou tenta um beiço nos pobres. Dada a sua trajetória, dá para estimar quem perde no fim, caso vença a eleição no próximo dia 25.

“Reinaldo, mas qual é, na sua opinião, o real pensamento de Flávio?” Ora, ele admite que a maioria dos trabalhadores quer a aprovação da proposta de Lula, diz achar certo que queiram mais folga, mas que sua ideia de liberdade é outra, embora vá votar a favor da tese do adversário, acrescentando à sua mistureba sem sentido um pouco mais de gastos públicos — justamente ele, o candidato dos cortes.

Entenderam? Acho que não. Nem eu. Nem ele. Limitou-se a fazer o L porque sentiu na nuca o calor das ruas.