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Eleições 2026Reinaldo Azevedo

Datafolha gela flavianos pós-blitzkrieg anti-Lula. Mendonça e isenção

Os 47% a 43% no confronto entre Lula e Flávio podem indicar que a forçada de mão contra Lulinha não produziu o efeito esperado

21/08/2026 22:33
Datafolha gela flavianos pós-blitzkrieg anti-Lula. Mendonça e isenção
Datafolha gela flavianos pós-blitzkrieg anti-Lula. Mendonça e isenção

Há uma blitzkrieg — nem tão surpreendente, é verdade — de manchetes contra Lulinha que buscam atingir a candidatura de Lula à Presidência. Se os números do Datafolha de agora estiverem no orbital (um conceito químico sobre elétrons; os mais curiosos pesquisem só depois de terminar a leitura do texto) daqueles do próprio Datafolha de há quase um mês, nada aconteceu: com 47% das intenções de voto no segundo turno, o presidente Lula, do PT, teria oscilado um ponto para baixo em relação a 23 de julho, e Flávio Bolsonaro, do PL, mantido os mesmos 43%. Os dados foram colhidos nos dias 18 e 19, ouvindo 2058 pessoas em 126 municípios, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

É bem verdade que nos dois dias seguintes, ontem (20) e hoje (21), o festival de produção de manchetes sobre o mesmo assunto mostrou incrível produtividade. Mas o essencial contra Lulinha já estava em todo lugar.

A revista “Veja”, diga-se, publicou um “VAZAMENTO de uma investigação SIGILOSA” da PF — e não posso deixar de chamar a atenção para o sabor das palavras: “VAZAMENTO DO SIGILOSO” —, e, bem, qualquer operador do direito sabe que não se conseguiria apontar, afinal de contas, qual seria o tipo penal em que incidiram Lulinha, Roberta Luchsinger e mesmo funcionários do governo que se enredaram nas conversas.

Mas muitos dirão que isso é firula jurídica. Nestes tempos, em que remanescem as tênebras (não escrevi errado…) da Lava Jato, falar em devido processo legal parece coisa de gente que gosta… de firula! Logo aparece alguém para tonitruar: “Temos de fazer Justiça!” Ora, é claro que temos. Que tal fazê-la segundo a Justiça? Ou viramos agora o paraíso dos linchadores? Nota à margem: no “vazamento sigiloso” de “Veja”, não há jurista “destepaiz” que conseguisse apontar os tipos penais.

SUSPENDA TODOS OS SIGILOS, MENDONÇA

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Antes que prossiga, insistirei aqui em encarecer ao ministro André Mendonça, que estudou direito em Bauru — cidade que fica na “periferia” da “Caverna do Unhudo”, de Dois Córregos (SP), onde nasci —, que RETIRE O SIGILO DE TUDO: dos dois inquéritos que têm Lulinha como alvo, que estão sob sua relatoria; de outro sobre o “Dark Horse”, em que o investigado é Flávio e também das apurações que dizem respeito ao advogado Willer Tomaz.

Diga-me, ministro, sem querer ser a mosca na sua sopa, quem sairia perdendo com isso. Note: o festival de vazamentos seletivos teria fim, e todos poderiam ter acesso a tudo, não é mesmo? Adicionalmente, faço um convite a Flávio e a Lulinha: tornem públicos seus respectivos sigilos. Se bem que o do filho do presidente já foi quebrado pelo próprio ministro, foi mandado para a praça pública pela CPMI do INSS, e, bem…, nada havia lá.

MENDONÇA É IMPARCIAL?
O troço ficou tão acintoso que o próprio Mendonça mandou investigar os vazamentos. Será que se chega a algum lugar? No filme “Sem Saída”, a personagem Tom Farrell (Kevin Costner), da cúpula da Marinha dos EUA, é encarregado de achar onde se esconde o agente soviético Nikita, que foi criado como um norte-americano… Ganham um emoji de coraçãozinho os que já adivinharam eram era o infiltrado mesmo sem ter visto o filme…

“Você está sugerindo que Mendonça é o próprio vazador, Reinaldo?” Eu nunca sugiro nada. Detesto textinhos de ilações. Eu estou afirmando que os inquéritos sobre Lulinha que estão sob a sua relatoria parecem uma peneira. Já o que investiga Flávio e o “Dark Horse”, também com o ministro, é dessas embalagens hermeticamente fechadas. Verdade ou mentira?

Quando atua no TSE, Mendonça costuma usar rigorosamente os mesmos argumentos para manter no ar os vídeos em defesa de Flávio contra Lula  — tenho as evidências cá comigo — e para mandar tirar do ar os vídeos em defesa de Lula contra Flávio. Posso detalhar tudo, mas seria fastidioso. O ministro, evangélico, não deve renegar Santo Agostinho, anterior ao cisma: deveria preferir os que o criticam porque o corrigem aos que o elogiam porque o corrompem — “corrupção”, no doutor do cristianismo, nada tem a ver com grana.

De toda sorte, passemos a régua: caia o sigilo de tudo. E as personagens desse enredo coloquem seu respectivos sigilos à disposição: tanto Lulinha como Flávio. Assim, o jornalismo não fica dependente do VIL (Vazador de Inquéritos contra Lulinha) e pode, finalmente, investigar.

DE VOLTA AO DATAFOLHA
Os números do Datafolha decepcionaram os flavianos originais e convertidos. “Flavianos”… Nome de importante dinastia do Império Romano. Que coisa! Tito teve de lidar com a erupção do Vesúvio e construiu o Coliseu. O nosso era amigo de Adriano (não o imperador da dinastia antonina…) da Nóbrega e pediu a módica quantia de R$ 134 milhões para um suposto filme…

Depois de tudo, a expectativa era a de uma virada. Não sei se haverá. Não faço previsões. Mas pode estar em curso um fenômeno que é o do “fastio”, para o qual concorrem setores da imprensa… Quando Umberto Eco analisou por que tantos achavam, e eu também acho, “Casablanca” um filme perfeito, escreveu que uns dois ou três clichês irritam, mas cem comovem. Sim, trata-se de um festival comovente de clichês, como certas músicas bregas que nos pegam distraidamente… A “blitzkrieg” na imprensa contra Lulinha, pautada pelo VIL, é tão intensa e, em muitos aspectos, tão ridícula — já que não se diz nem mesmo qual crime teria sido cometido — que a consequência pode ser algo como: “Lá vêm eles de novo”. É uma hipótese.

E, dado o contexto, convenham: o que falta agora no mercado dos vazamentos são dados sobre a lambança do “Dark Horse”. Não sei se vêm ou não e não estou aqui a dizer um “aguardem”. Não lido com essas coisas. O fato inequívoco é o seguinte: aquele troço continua a ser algo que desafia a inteligência, não é mesmo? A gente já sabe contra quem atua o VIL. A demanda por saber mais sobre as lambanças de Flávio é imensa.

GONET
Aproveito para elogiar o impecável Paulo Gonet. Ao Ministério Público Federal cabe ser técnico, ignorando eventuais afinidades eletivas, e não há uma única evidência de que o procurador-geral da República, no seu trabalho, as tenha. Objetivamente, indague-se e responda-se:
– há pessoas com prerrogativa de foro para justificar que o caso Lulinha siga no STF? Resposta: não!
– os negócios tentados por Roberta e Lulinha prosperaram na máquina pública? Também não!

Que se faça, então, o debate técnico sobre a competência do juízo. E ponto. “Ah, mas um dia pode aparecer alguém com foro”. Inexiste “a competência da hipótese” — ou perdi alguma coisa no meu “homeschooling” do direito? Não tratem Gonet como um chicaneiro com quem não se pode falar a partir de determinado horário porque já não estaria mais entre nós. Exerce o seu trabalho com enorme sobriedade.

ENCERRO

A pesquisa Datafolha pode indicar que vai ser preciso mais do que a “blitzkrieg” proporcionada pelos vazamentos do VIL para inverter as coisas. Pode vir nova avalanche? Até pode. Mas convém lembrar, claro!, que ninguém está morto nessa luta.