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Ramiro Brites

De sobrenome Haddad, primo de Maluf herdou nome de ex-governador nas urnas

Empresário Albertinho Maluf, candidato à Alesp, não tem, no cartório, sobrenome do primo, ao qual chama de tio, mas é seu herdeiro político

01/10/2026 04:30
Reprodução
Albertinho Maluf

O candidato a deputado estadual Albertinho Maluf (PP), que fala do tio em sua campanha, não é sobrinho, nem tem o mesmo sobrenome de Paulo Maluf. O empresário, de 39 anos, é primo de 2º grau do político e dono do espólio político do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo.

Na verdade, Albertinho se chama Alberto de Hollanda Haddad, mas não tem parentesco com o candidato a governador Fernando Haddad (PT). O sobrenome é comum entre descendentes libaneses.

Com toda a vida na iniciativa privada, as lembranças de Albertinho com Maluf o levaram à vida pública. Embora Paulo seja primo de seu pai, o candidato à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) chama o ex-governador de “tio” na intimidade. Os dois se conhecem desde o nascimento de Alberto e Maluf é seu padrinho – não só na política.

Volta do projeto Cingapura

Albertinho Maluf lembra que, ainda criança, foi à zona norte da capital paulista para a inauguração do Projeto Cingapura, um programa habitacional que foi marca da gestão do “tio” na Prefeitura de São Paulo.

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Lá, viu uma mulher contemplada por um apartamento contar que aquela conquista ia dar dignidade a ela, iria tirá-la da favela e ela iria entrar numa loja de departamento, sem vergonha, e ter um endereço para abrir um crediário e comprar uma geladeira.

“Isso mexeu comigo porque eu vi que a vontade de um homem mudar alguma coisa muda a vida de muitas pessoas”, disse Albertinho à coluna.

Uma das propostas do herdeiro político de Paulo Maluf é levar os apartamentos do projeto Cingapura para o interior do estado. Outro projeto de Maluf que Albertinho quer retomar é o que dá leite em pó para as crianças que têm 90% de presença escolar.

A qualificação profissional de jovens é uma promessa de Albertinho, assim como outras demandas do setor produtivo.

“Não voto por mais imposto”

Albertinho Maluf garante que não vai votar em nenhum projeto para aumentar impostos. Diz que terá liberdade na Alesp para se posicionar conforme bem entende.

Vindo do setor empresarial, Albertinho diz que o país sacrifica os empresários.

“O Brasil cobra impostos de países europeus e oferece serviços de países subdesenvolvidos da África”, ataca.

Ele vêm de uma família, como tantas outras de origem libanesa, que estabeleceu um comércio na rua 25 de março e vê os centros comerciais tradicionais definharem.

“Na Santa Efigênia, na 25 de março, no Brás, lojas que antes eram motivo de briga pelo ponto, hoje estão fechadas”, critica. “O governo serve para ajudar o empresário a gerar riqueza, gerar emprego. Não voto por mais imposto”, acrescenta.

Outra promessa de Albertinho é destinar emendas às Santas Casas e a obras de infraestrutura.

Honra a memória de Maluf

Albertinho vê que carregar o sobrenome do parente é uma responsabilidade. Lembra de projetos do “tio” como a obrigatoriedade ao cinto de segurança e restrição ao cigarro, a construção das marginais, o início do metrô, como a frente do seu tempo.

“O nome dele é sinônimo de trabalho e de projetos visionários”, resume.

Questionado sobre uma frase atribuída a Paulo Maluf por adversários, de que ele “rouba, mas faz”, Albertinho é enfático em dizer que o “tio” nunca precisou da política para enriquecer porque é filho de industriários e viu muita gente crescer financeiramente na política sem saber explicar a origem do patrimônio.

Sem citar nomes, o sobrinho do ex-governador e ex-prefeito argumenta que na prefeitura de Paulo Maluf, o orçamento era muito menor, e os resultados foram muito melhores do que governos recentes.

“Quem gosta, ou não gosta, não nega que as obras dele são importantes. Maluf faz e nunca precisou roubar”, afirma.