Crianças lutam sem kimono em projeto que gastou verba de Frias com uniforme
Projeto social Lutando Pela Vida gastou mais de R$ 500 mil na compra de kimonos, segundo decisão do STF, que autorizou operação da PF

O projeto Lutando Pela Vida, que ensina jiu-jítsu a crianças de Pirassununga, cidade do interior de São Paulo, gastou R$ 457,8 mil na compra de uniformes, mas fotos das aulas mostram alunos sem kimonos, a roupa usada para a prática da arte marcial.
O projeto é bancado com recurso público, com origem emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias (PL) destinada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, roteirizado por Frias, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Do ICB, a verba foi remanejada ao projeto social por meio de um termo de fomento. O Lutando Pela Vida custou R$ 1 milhão ao orçamento do Ministério do Esporte. A Controladoria-Geral da União (CGU) mostrou que o projeto emitiu notas de pagamento ao ICB antes mesmo que o contrato entre ambas as partes fosse fechado.
O responsável pelo Lutando pela Vida é Rudyge Boldrini, instrutor de jiu-jítsu, contratado com recurso públicos por R$ 13,7 mil. Ele constituiu uma microempreendedorismo individual (MEI) poucos dias antes de ser contratado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesFrias, Karina e Boldrini são três dos 49 alvos da operação da Polícia Federal (PF), deflagrada na quarta-feira (9/9).
Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que os demais contratados pelo projeto social, que são instrutores e profissionais ligados a academia de jiu-jítsu de Pirassununga, “possuem objeto incompatível com os serviços faturados”.
Na foto em destaque, o instrutor de jiu-jítsu aparece ao lado de uma DJ que promove o Festival Terra Viva, uma rave que ocorre na cidade do interior de São Paulo. A maioria dos alunos da foto estão sem o kimono. A informação de que nem todas as crianças têm acesso aos uniformes também foi confirmada em conversa com pais de crianças que participam do projeto, mas não quiseram se identificar.
Uma denúncia do deputado Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) e da vereadora de Pirassununga Mirelle Buêno (PDT) protocolada no STF liga a rave ao “ecossistema econômico” no entorno de Mário Frias.
Os produtores do festival de música eletrônica negam o vínculo e afirmam que a festa é bancada com recursos privados.





