40 alvos em 2,5 km: o dia em que a polícia tomou a Faria Lima
Há pouco mais de um ano, as operações Carbono Oculto, Tank e Quasar tomaram às ruas do maior centro financeiro do país

Em 25 de agosto de 2025, o coração do centro financeiro do país foi tomado por viaturas da Polícia Civil de São Paulo, da Polícia Federal (PF), e da Receita Federal. As operações Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Quasar e Tank, da PF, desarticularam uma rede de fundos de investimento e fintechs.
O Secretário Especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirma que a expertise adquirida pelos investigadores na Carbono Oculto fez com que eles alimentassem plataformas de Inteligência Artificial, que os permitiram destrinhcar uma teia de fundos que desvelou o escândalo do Banco Master.
Um ano depois, o Metrópoles voltou aos alvos e conferiu o que havia mudado após a operação. A reportagem percorreu cerca de 3 mil quilômetros do litoral ao interior paulista, passando pela capital para analisar postos de combustível e usinas de cana de açucar usadas para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Do canavial à Faria Lima
Essa e outras histórias estão no especial “Do Canavial à Faria Lima”. O Metrópoles publicou nesta sexta-feira (30/07), o terceiro cápitulo de uma série de reportagens sobre as consequências da operação Carbono Oculto, considerada a maior ação de combate à infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis do país.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDeflagrada em agosto de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, a operação expôs um grupo criminoso que controlava canaviais, usinas, distribuidoras de combustíveis e postos de gasolina – eram centenas de empresas enredadas em uma teia complexa de fraudes, sonegação de impostos e ocultação de patrimônio. A rede se estendia dos canaviais do interior paulista às fintechs da Faria Lima.
Desvio bilionário
A estimativa dos investigadores é que o império comandado por Primo e Beto Louco tenha movimentado R$ 54 bilhões entre 2019 e 2024, sendo que ao menos R$ 8,4 bilhões foram desviados em fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Em muitos pontos, os negócios da dupla se cruzam com os de personagens acusados de pertencer ao PCC. As defesas, entretanto, negam que haja essa ligação.
A apuração do Metrópoles mergulhou em milhares de páginas de processos judiciais e inquéritos do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Federal (PF) para entender os impactos da rede criminosa. Também entrevistou usineiros, agricultores, empresários do setor de combustíveis e autoridades públicas para detalhar os prejuízos causados à sociedade pelo crime organizado.
Pouco mais de um ano depois da Carbono Oculto, Primo e Beto Louco seguem foragidos, trabalhadores rurais tentam receber indenizações, alguns postos ligados ao grupo seguem funcionando sem autorização. O que mudou foi a expertise gerada na Carbono Oculto aos investigadores, que permitiu desvelar outras fraudes financeiras. Além disso, a arrecadação dos estados com combustíveis cresceu em todo o país, mostrando que a operação conseguiu, ao menos em parte, coibir a criminalidade no setor.


