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São Paulo

Receptador de ouro alvo de operação em São Paulo integra PCC, diz polícia

Investigação aponta que membro do PCC tem papel fundamental entre os núcleos da organização criminosa que rouba e recebe joias em São Paulo

Otávio Augusto/Metrópoles
PCC joias investigação

São Paulo — Um dos alvos da terceira fase da Operação Ouro Reverso, que mira uma quadrilha de roubo e receptação de joias ouro em São Paulo, é integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo investigações da Polícia Civil.

A ação foi deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) nessa terça-feira (27/10) e interditou uma joalheria no centro da capital paulista. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 374 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados.

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Denis Alves Campos dos Santos é apontado pela Polícia Civil como centro do esquema criminoso e integrante ativo do PCC. O investigado desempenha papel central na ligação entre as joias roubadas e o núcleo três das operações da organização criminosa, que seria a parte de movimentação do dinheiro, empresas de fachada e lavagem de capitais.

No centro do esquema criminoso

Denis já foi investigado no início da Operação Ouro Reverso e chegou a ser condenado em 1º grau por integrar a organização criminosa. Mas além disso, o integrante do PCC era diretamente vinculado a receptadores, como Rony Gonçalves, um dos principais negociadores de joias e ouro obtido nos roubos — que foi preso na primeira fase das investigações.

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As investigações também mostram que Denis figura como sócio de uma mulher chamada Talita Rodrigues Mendes Pereira nas empresas Canaã Comércio de Joias e Alianças Ltda. e Prata.Com Comércio Fabricação e Reparo de Joias Ltda, que funcionariam como “fachada” para lavagem de dinheiro obtido através dos roubos e vendas das joias.

Além disso, Denis ingressou formalmente na sociedade Efraim Comércio de Joias e Alianças Ltda., criada por Talita e Matheus Oliveira da Silva, também integrante da organização criminosa, com o mesmo intuito.

As investigações apontam que a empresa Prata.Com realizou alteração fictícia de endereço perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) para ocultar intencionalmente seu estabelecimento físico.

Movimentação Financeira e lavagem de dinheiro

Nesta terceira fase da Ouro Reverso, Denis reaparece como elo estratégico com outros operadores do núcleo 3 da organização criminosa, que é a célula financeira responsável pela movimentação e lavagem de capitais.

As investigações apontam que entre julho de 2025 e junho de 2026, Denis manteve “intenso e atípico fluxo de capitais” com Matheus Oliveira da Silva, transferindo R$ 920.172,00 mil para ele (em 110 transações) e recebendo R$ 605.337,00 mil (em 45 operações). Ele também movimentou valores expressivos com a Valentim Joias Exclusive Ltda., gerida por Matheus e que seria usada como “laranja”. 

Operação Ouro Reverso III

O núcleo financeiro do grupo que comprava e revendia joias roubadas, como alianças, na cidade de São Paulo foi alvo da terceira fase da Operação Ouro Reverso, nas primeiras horas desta terça-feira (27/10), pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A ação conta com o apoio de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo (Sefaz) e avaliadores da Caixa Econômica Federal.

A primeira fase da Operação Ouro Reverso foi deflagrada em maio de 2025. Naquela ocasião, a polícia prendeu Rony Gonçalves, apontado como o principal negociador de objetos de ouro roubados na capital paulista. O homem era integrante do esquema comandando por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como Mainha do Crime e apontada como suspeita na morte do ciclista Vitor Medrado, assassinado em fevereiro de 2025, em um assalto na zona oeste da capital paulista.

Na terceira fase dessa operação, foram cumpridas 31 ordens judiciais de busca e apreensão expedidas pela Justiça. As medidas também incluem a interdição de uma empresa, no centro de São Paulo, e o sequestro de um imóvel ligado ao grupo investigado.

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Suedna Barbosa foi presa em flagrante nesta terça-feira (18/2)
Suedna Barbosa Carneiro, a "mainha do crime"
Dois homens em uma moto abordaram e mataram ciclista no Parque do Povo
Vitor Medrado
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Suedna Barbosa foi presa em flagrante nesta terça-feira (18/2)
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Suedna Barbosa foi presa em flagrante nesta terça-feira (18/2)

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Suedna Barbosa Carneiro, a "mainha do crime"
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Suedna Barbosa Carneiro, a "mainha do crime"

Arquivo Pessoal
Dois homens em uma moto abordaram e mataram ciclista no Parque do Povo
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Dois homens em uma moto abordaram e mataram ciclista no Parque do Povo

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Joalheria no centro de São Paulo interdidatada por receptação de ouro roubado
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Joalheria no centro de São Paulo interdidatada por receptação de ouro roubado

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Segundo a investigação, a rede que movimentava milhões em joias de ouro roubadas na capital era dividida em três núcleos: o que praticava os crimes; os dedicados à receptação, comercialização e transformação do ouro e das joias subtraídas; e o terceiro que era focado na movimentação do dinheiro obtido e a lavagem dos valores dos itens ilegais.

Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) revelaram indícios de que o núcleo financeiro usava empresas de fachada, laranjas, circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas e fazia alterações societárias parar maquiar o dinheiro fruto dos crimes.

Entre as empresas investigadas, segundo o Deic, uma movimentou cifras superiores a R$ 356 milhões e é, de acordo com relatórios, uma dos principais instrumentos de dispersão e reinserção de dinheiro de origem ilícita.