Além das bolinhas: Yayoi Kusama usou nudez e "orgias" para protestar
Apesar de comandar performances com pessoas nuas, Yayoi Kusama, que morreu aos 97 anos, afirmou que ela própria não ficava nua

A artista japonesa Yayoi Kusama morreu aos 97 anos. Conhecida como a “rainha das bolinhas”, Kusama construiu uma carreira marcada pela ousadia e chegou a usar nudez e até “orgias” em performances e protestos.
A artista morreu em 14 de agosto em um hospital de Tóquio, no Japão, segundo anúncio divulgado nas redes sociais nessa quarta-feira (26/8). A causa da morte não foi divulgada.

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Yayoi Kusama se mudou para Nova York em 1958 e, além de pinturas e instalações, passou a realizar os chamados Happenings. Geralmente improvisadas e de caráter teatral, essas performances contavam com a participação do público e, muitas vezes, abordavam temas políticos e sociais.
Com o crescimento dos protestos contra a Guerra do Vietnã, a artista levou as performances para as ruas. Nos chamados Anatomic Explosions, Kusama pintava os corpos nus dos participantes diante de locais simbólicos, como a Bolsa de Nova York e a sede da Organização das Nações Unidas (ONU).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA japonesa também realizou um protesto com nudez após a eleição de Richard Nixon.

Performance não autorizada
Em 1969, Yayoi Kusama organizou uma performance com pessoas nuas no Jardim de Esculturas do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. A ação não autorizada ficou conhecida como Grand Orgy to Awaken the Dead (“Grande Orgia para Despertar os Mortos”).
Na ação realizada no MoMA, Kusama orientou os participantes, completamente nus, a se abraçarem e interagirem com as esculturas expostas no jardim.
Ao colocar corpos vivos e nus em contato com esculturas estáticas, a japonesa também fazia uma crítica ao museu como um espaço dedicado à arte “morta”, defendendo maior presença e participação de artistas vivos.

O que era a nudez para Yayoi Kusama
Para a artista japonesa, a nudez não tinha apenas um sentido sexual. Segundo ela, o corpo nu funcionava como instrumento de libertação, protesto político e questionamento das convenções sociais.
Além disso, a nudez estava ligada com a ideia de “auto-obliteração”, na qual “as fronteiras entre o indivíduo e o ambiente seriam apagadas.”
Em entrevista concedida em 1999, Yayoi Kusama afirmou que, apesar de comandar performances com modelos nus, ela própria não ficava nua. A artista se descreveu como uma espécie de “sacerdotisa”, responsável por pintar bolinhas coloridas nos corpos dos participantes.















