Yayoi Kusama: como alucinações deram origem às famosas bolinhas da artista
Yayoi Kusama morreu aos 97 anos. A informação foi confirmada nessa quarta-feira (26/8) pelo museu e fundação que levam o nome dela

As bolinhas que transformaram Yayoi Kusama em um dos maiores nomes da arte contemporânea nasceram de experiências que a artista dizia viver desde a infância. A japonesa, que morreu aos 97 anos, relatava ter alucinações em que padrões se multiplicavam diante dos olhos e tomavam conta de tudo ao redor.
Kusama começou a desenhar ainda criança. Em uma das experiências que mais tarde descreveu em sua autobiografia, contou que observava uma toalha estampada com flores vermelhas quando passou a enxergar o desenho se espalhar pelo ambiente.
“Comecei a observar o mesmo motivo de flores vermelhas em todo o teto, nas janelas e nas colunas. Ele preenchia toda a sala e até cobria meu corpo”, relatou em sua autobiografia.
A artista passou a reproduzir essas imagens em desenhos e pinturas como uma maneira de lidar com as alucinações. Pontos, redes e formas repetidas acabaram se tornando a principal característica de seu trabalho e, décadas depois, apareceriam também em esculturas e instalações imersivas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA saúde mental acompanhou Kusama durante toda a trajetória. Depois de viver nos Estados Unidos e integrar a cena artística de Nova York nos anos 1960, ela retornou ao Japão na década seguinte. Em 1977, decidiu se internar voluntariamente em uma clínica psiquiátrica de Tóquio, onde passou a morar. O ateliê ficava próximo ao local, e ela mantinha uma rotina de trabalho.
Com o passar das décadas, as imagens que Kusama associava às alucinações deixaram de ser apenas uma experiência particular e se transformaram em uma linguagem reconhecida mundialmente. Além das bolinhas, suas abóboras e salas de espelhos se tornaram algumas de suas obras mais conhecidas.
Yayoi Kusama morreu em 14 de agosto, em um hospital de Tóquio. A morte foi divulgada nessa quarta-feira (27/8). Segundo a organização responsável por seu legado, ela continuou pintando até os últimos dias de vida.












