Tapeçaria medieval tem 93 pênis e revela suposto escândalo sexual na Europa
Conhecida como Tapeçaria de Bayeux, a peça medieval narra a conquista normanda da Inglaterra. Uma das cenas esconde suposto escândalo sexual

Um suposto escândalo sexual pode estar escondido em uma das obras medievais mais importantes da história. A Tapeçaria de Bayeux, que narra a conquista normanda da Inglaterra em 1066, traz uma cena enigmática que, segundo interpretações de especialistas, pode ter colocado em xeque a própria legitimidade de Guilherme, o Conquistador.

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Ver todasA peça também chama atenção por uma característica bastante peculiar: a grande quantidade de representações de falos — os famosos pênis —, sendo 93 ou 94, dependendo da contagem. Para especialistas, as imagens podem ter diferentes significados, desde simples pichações de caráter juvenil até comentários subversivos sobre personagens retratados.
Recentemente, a obra retornou ao Reino Unido após ser levada da Normandia, na França, pela primeira vez desde sua criação, há quase mil anos. Ao longo de seus 70 metros, a tapeçaria retrata 58 acontecimentos que culminaram na Batalha de Hastings e na Conquista Normanda.

O escândalo
Uma outra cena, porém, é considerada ainda mais provocativa: em meio às imagens, uma pequena vinheta mostra um clérigo tocando o rosto de uma nobre chamada Aelfgyva, enquanto um homem nu aparece logo abaixo da borda decorativa.
Entre no canal de WhatsApp do Vida e EstiloDe acordo com Michael Lewis, curador do Museu Britânico, a representação pode fazer referência a um suposto caso extraconjugal envolvendo uma mulher ligada à família real inglesa — e, consequentemente, lançar dúvidas sobre a legitimidade da reivindicação de Guilherme ao trono.
“Isso mina a legitimidade da Conquista Normanda”, afirmou Lewis ao podcast HistoryExtra, ao comentar a possível mensagem por trás da cena.
Segundo o Daily Mail, Lewis acredita que a mulher retratada poderia ser Emma da Normandia, esposa do rei Etelredo, o Despreparado, e mãe de Eduardo, o Confessor. Durante o casamento, Emma também adotou o nome inglês Aelfgyva.

O que mudaria com a descoberta
A ligação dela com Guilherme é especialmente importante para essa interpretação, pois Emma era tia-avó do futuro conquistador. Quando Eduardo, o Confessor, morreu sem deixar herdeiros, Guilherme recorreu justamente aos vínculos familiares para sustentar sua reivindicação ao trono inglês antes de invadir o país.
O problema é que, segundo rumores que circulavam na época, Emma teria mantido um relacionamento com Alfwin, bispo de Winchester.
Para Lewis, a cena da tapeçaria poderia ser uma alusão a esse suposto envolvimento amoroso e uma maneira de atingir a reputação da mulher. “Aquela figura nua lá embaixo, e o escândalo sexual… aí a situação se inverte completamente contra ela.”
Caso essa interpretação esteja correta, a cena teria um significado político além do sexual. Ainda assim, a identidade da mulher representada permanece sem confirmação, já que um dos principais obstáculos é que o nome era bastante comum na Inglaterra do século 11. Por conta disso, outros historiadores já sugeriram diferentes possibilidades para a personagem.





