Deixe os tabus do lado de fora e pode entrar. Tudo sobre sexo, para você gozar a vida.

Nosso filho nos viu/ouviu transando. Como lidar com a situação?

Após vídeo em que criança chora ao contar que ouviu pais fazendo sexo viralizar, especialista explica os riscos desse tipo de exposição

atualizado 04/03/2020 11:38

Foto: Getty Images

Nos últimos dias, um vídeo em que uma criança chora copiosamente contando à irmã que ouviu os pais fazendo sexo três vezes viralizou nas redes sociais. Nas imagens, que até agora foram vistas por mais de 9 milhões de usuários do Twitter, o garoto relata o caso aos prantos, mostrando verdadeiro terror diante da situação.

Ainda que o vídeo tenha divertido muitas pessoas, a exposição de crianças à sexualidade pode trazer, de fato, muita confusão e sofrimento aos pequenos.

“As crianças não têm compreensão do que acontece em um ato sexual. Para elas pode parecer cenas de violência, de agressão física e verbal. Pelo fato de ainda não entenderem como algo prazeroso, podem acreditar que o pai está fazendo algum mal à mãe, ou o contrário”, explica Carolina Freitas, terapeuta sexual da plataforma Sexo Sem Dúvida.

A forma da criança lidar com a exposição ainda pode variar de idade para idade. Quando mais novos, o sentimento ruim pode se dever tanto à falta de recursos para entender aquilo, quanto a um sentimento de exclusão em relação a algo que é apenas vivenciado e sentido pelos pais.

Em crianças mais velhas ou que estejam passando pela puberdade, que têm mais informações sobre o ato sexual, a aversão pode ser justificada por um extremo constrangimento diante da situação.

Riscos da exposição

Mesmo que soe engraçado para quem tem entendimento sexual, as consequências para as crianças envolvidas neste tipo de situação são muito negativas. “Pode haver irritabilidade, choro excessivo (como no vídeo), medos e ansiedade”, aponta.

Inclusive, pouca gente sabe, mas, de acordo com a profissional, a exposição sexual – seja visual, auditiva ou de qualquer natureza – é uma violação sofrida pelas crianças, e, a depender do caso, pode ser julgada como abuso sexual.

A longo prazo, as consequências podem interferir na sexualidade dessas pessoas, fazendo com que, quando adultos, passem a relacionar comportamentos sexuais a sensações ruins. “Dependendo do que foi visto ou ouvido, e em qual frequência, pode gerar traumas”, alerta.

Como evitar

Ainda que seja óbvio, Carolina explica que a vida sexual dos pais é algo privado, e que deve haver delimitação de espaço. “Como os pais já não vivem sozinhos, o cuidado é sempre importante. A cena sexual dos pais vai provocar impacto em qualquer idade”, diz.

Para evitar momentos indesejados, a dica é sair de casa, ou escolher momentos em que os filhos tenham saído. “Se isso não for possível, é essencial trancar a porta e ter muito controle quanto à intensidade e barulhos”, indica.

E, ao contrário do que muita gente pensa, a terapeuta ainda ressalta que não é recomendável, razoável nem saudável transar com filhos pequenos dormindo no mesmo quarto.

Aconteceu. E agora?

Se, mesmo com todos os cuidados, houver a exposição acidental da criança a comportamentos sexuais dos pais, a melhor forma de lidar é com afeto e comunicação. “É preciso entender o que a criança compreendeu do que viu, e ajudá-la na elaboração”, explica a psicóloga. Para isso, especialistas em educação sexual podem orientar pais, mães e crianças.

Para finalizar, Carolina lembra: “A educação sexual deve ser feita de acordo com a idade e com o que a criança traz de dúvidas e curiosidades. Deve incluir respeito, conhecimento e cuidado com o corpo, prevenção e responsabilidades”, garante.

Últimas notícias