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Dia do Beijo: 50% dizem que beijo tem a mesma intimidade que sexo
Beijo ainda divide opiniões em relações casuais e revela os limites entre desejo físico e envolvimento emocional
atualizado
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Em um momento em que relações abertas e encontros sem compromisso se tornam cada vez mais comuns, um gesto tradicional de intimidade ainda levanta questionamentos: o beijo. Mesmo com o sexo sendo encarado de forma mais natural nesses contextos, o ato de beijar permanece em uma zona indefinida, transitando entre o físico e o emocional.
Uma pesquisa realizada pela plataforma erótica Sexlog com mais de sete mil participantes revela esse dilema. Para 50,3% dos entrevistados, o beijo tem o mesmo nível de intimidade que o sexo, enquanto 12,8% o consideram ainda mais íntimo. Já 27,43% dizem que tudo depende do contexto, indicando que, nas dinâmicas atuais, o significado do beijo varia conforme a relação e o momento.

Segundo o especialista em relacionamentos Gustavo Ferreira, os números refletem uma transformação no comportamento afetivo.
“Existe hoje uma tentativa clara de separar o desejo do envolvimento emocional. Em muitos casos, as pessoas querem viver o momento, mas estabelecem limites para evitar vínculos mais profundos — e o beijo acaba ocupando esse lugar.”
Entre o físico e o emocional
Mesmo em encontros sem compromisso, o beijo continua sendo comum. De acordo com o levantamento, 91,7% afirmam que beijam sempre ou na maioria das vezes, mostrando que o gesto ainda faz parte da experiência.
Por outro lado, ele não deixou de carregar significados mais profundos. Para 74,69% dos entrevistados, o beijo está ligado ao desejo físico, mas também aparece associado ao carinho (55,2%) e à conexão emocional (47,4%). Essa dualidade ajuda a entender por que o tema ainda gera dúvidas: dependendo da situação, o beijo pode ser apenas um gesto físico — ou algo além.
Sexo sem beijo: um limite estratégico
Um dado que chama atenção é que 58,56% dos usuários já tiveram relações sexuais sem beijar, prática que vem se tornando mais frequente em contextos casuais.
As razões variam, porém, muitas estão ligadas à tentativa de controlar o envolvimento emocional:
- 35,6% disseram que foi um pedido da outra pessoa;
- 33,8% apontaram a dinâmica do encontro;
- 30,3% mencionaram falta de conexão;
- 20,4% afirmaram que evitaram o beijo para não criar vínculo.
Para Gustavo, esse comportamento revela uma tendência clara. “Para muita gente, o beijo é o que transforma uma interação física em algo mais íntimo. Evitá-lo pode ser uma forma de manter a relação dentro de um acordo mais leve, sem expectativas emocionais.”
O beijo como fronteira nas relações
Ainda que em relações mais flexíveis, como as abertas, o beijo ainda pode ser um ponto sensível. O estudo mostra que 48,76% dos entrevistados consideram o beijo na boca uma forma de traição.
Ao mesmo tempo, esse limite não é fixo: em relações abertas, 51,31% afirmam que o beijo é permitido, enquanto outros dizem que tudo depende de regras previamente combinadas ou do contexto.
























