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Conheça o spectatoring, fenômeno que dissocia pessoas durante o sexo

Já teve a sensação de ser mero espectador do próprio sexo? Terapeuta sexual explica que fenômeno está associado à ansiedade de desempenho

atualizado 14/09/2020 11:51

SpectatoringFoto: Le Club Symphonie/Getty Images

“Será que ele(a) está gostando?”. “Meu corpo não está tão legal, ele(a) deve ter reparado”. “Mudamos de posição? Talvez ele(a) curta se eu fizer aquela que vi aquele dia”. Se durante o sexo é deste tipo de pensamento que sua mente fica cheia, provavelmente você sofra de spectatoring.

De acordo com o terapeuta sexual André Almeida, spectatoring é um fenômeno de dissociação, ou seja, a pessoa de “descola” das sensações do corpo para ficar imersa em pensamentos.

“No spectatoring, esses pensamentos normalmente são ansiosos e relacionados ao ato sexual. Estão ligados à performance, a estar agradando ou não, a tentar ler os pensamentos do(a) parceiro(a) etc.”, explica.

Ainda que não se trate da mesma coisa, André explica que o spectatoring está bastante associado com a ansiedade de desempenho. “Ela surge justamente dessa autoavaliação e hipervigilância que a pessoa entra no momento do ato sexual”, dia André.

Mais pensamentos, menos orgasmos

A verdade é que, quanto mais as pessoas se preocupam em gozar, menos elas gozam. E esse é um dos principais malefícios do spectatoring. Além de prejudicar o orgasmo, o fenômeno também pode estar associado à ejaculação precoce e dificuldades de ereção.

Segundo André, outra preocupação é, a médio e longo prazo, o sexo se tornar algo aversivo e pesaroso para a pessoa, que toda vez que engata um comportamento sexual passa por todo o cansativo processo. “ Se torna algo quase que obrigatório”, completa o psicólogo.

O que causa?

As mais prováveis causas para o desenvolvimento do spectatoring são a aprendizagem sexual em si e episódios anteriores de grande impacto.

“Quando falamos desse fenômeno, falamos de pessoas que aprenderam que precisam fazer um sexo de ótimo desempenho. Nisso podemos incluir grande parte da população masculina da nossa sociedade”. aponta.

O tratamento, segundo André, é a técnica do mindfulness, que é a atenção plena ao que está acontecendo no momento presente. Com terapia sexual, tudo se ajeita. “Na psicoterapia ensinamos a desfocar dos pensamentos e entrar no sexo em si e nas suas sensações”, finaliza.

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