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Como lidar com o “ranço” no começo da relação? Psicóloga explica
Após a fase de “Lua de mel” é natural começar a reparar em pequenos hábitos do parceiro que podem incomodar
atualizado
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Apaixonar-se pode ser emocionante, estimulante e eufórico ao mesmo tempo. Seu coração bate acelerado, você sente um frio na barriga e tudo parece maravilhoso durante a fase de lua de mel. Mas, talvez as características outrora cativantes do seu parceiro estejam te irritando seriamente.
E, às vezes, tudo que a outra pessoa faz começa a irritar. A altura que a pessoa respira é incômoda e algumas perguntas bobas são piores ainda. O famoso “ranço” pode acontecer com qualquer um. Às vezes é definitivo, em outros momentos, tudo que você precisa é de dois dias de distância. Mas como lidar com isso no começo de um relacionamento?

A psicóloga especialista em relacionamentos Bruna Dandara explica que o ranço é um incômodo que surge frente a certos comportamentos do outro. “Pode aparecer ali de forma repentina ou ser construído aos pouquinhos. Na psicologia, o ‘ranço’ pode ser entendido como uma reação afetiva de repulsa ou aversão diante de características, comportamentos ou padrões relacionais do outro.”
“Em relacionamentos, esse sentimento pode estar ligado a processos cognitivos como a dissonância cognitiva (quando o parceiro não corresponde à imagem idealizada que foi criada) ou à quebra de reforços positivos, já que no início costumamos valorizar mais as qualidades e minimizar defeitos”, contextualiza a profissional.
Como lidar?
Ao contrário da fase de lua de mel, quando o entusiasmo é exacerbado, o “desapaixonamento” costuma ser marcado por uma sensação de apatia ou ambivalência. A fadiga no relacionamento pode se manifestar como distanciamento do parceiro, desinteresse geral ou até mesmo ceticismo em relação ao futuro juntos.
Bruna sugere entender em que momentos as atitudes da outra pessoa mais incomodam. “Pode lidar com isso diferenciando a que esse ranço está ligado, é a pequenas manias? Será que podem ser ajustadas com diálogo? Ou está mais ligada a uma incompatibilidade de valores e estilo de vida? Se responder a esses questionamentos é um bom início.”
“A comunicação também é essencial. Comunicar incômodos de forma clara e respeitosa ajuda a prevenir que o ranço cresça e se torne um muro entre os dois. Psicologicamente, é importante diferenciar entre traços de personalidade que são apenas diferentes dos seus e comportamentos que realmente ferem valores ou limites pessoais”, acrescenta.
É normal desejar um tempo sozinho de vez em quando (por exemplo, quando ambos estão estressados ou depois de um longo dia de trabalho), mas se você não estiver interessado em se conectar na maior parte do tempo, provavelmente é um sinal de que o relacionamento está mudando.
Dá para superar o ranço?
Segundo a psicóloga, é sim possível lidar com esse momento de desconforto e dar a volta por cima na relação. “Desde que não seja nada ligado a comportamentos desrespeitosos ou padrões de comportamento nocivos, ou seja, trata-se de algumas diferenças ou manias, isso pode ser superado e seguir em frente.”
O mais importante, explica Bruna, é a comunicação e disposição para lidar com “ajustes”. “Relacionamentos duradouros não são isentos de incômodos, mas a capacidade de negociação, aceitação e adaptação é o que determina a saúde do vínculo.”






















