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Câncer de mama: sexualidade e autoestima são afetadas pela doença
No Outubro Rosa, médica explica como se redescobrir sexualmente e como o tratamento do câncer de mama afeta a vivência sexual das mulheres
atualizado
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O câncer de mama impacta a vida das mulheres de diferentes formas. Além dos sintomas próprios da doença e dos efeitos causados pelo tratamento, o impacto na saúde psicológica também pode trazer consequências para a vida sexual.
O tratamento do câncer de mama também pode diminuir o desejo sexual. Isso porque um dos efeitos colaterais dos medicamentos usados é a alteração das taxas de alguns hormônios.

A diminuição nas taxas dos hormônios estrogênio, progesterona e testosterona faz com que a mulher perca o desejo sexual.
Beatriz Tupinambá, ginecologista especialista em reprodução e longevidade humana, explica que o tratamento do câncer de mama não impacta apenas o corpo, mas também a forma como a mulher passa a se enxergar. “A quimioterapia, a radioterapia e os bloqueadores hormonais reduzem hormônios relacionados à saúde sexual, o que pode aumentar o cansaço, causar atrofia e secura vaginal, além de alterações de humor. Tudo isso afeta diretamente a libido.”
“Além da questão fisiológica, a mudança na autoestima também interfere muito na vida dessas mulheres. Isso porque muitas veem a mama como parte do seu corpo sexual, e cirurgias ou alterações na estrutura mamária podem impactar nesse aspecto”, explica. “Por isso, é importante lembrar que não se trata de falta de amor ou desinteresse, mas de um corpo em transformação, que precisa de acolhimento, empatia e, muitas vezes, de adaptação.”
Desafios
Ainda segundo a ginecologista, mulheres que passam pelo tratamento vivem um grande desafio ao viver sem reposição hormonal e ao utilizar bloqueadores hormonais, o que impacta bastante na libido. “Muitas mulheres sentem que perderam ou diminuíram sua feminilidade por causa das cicatrizes, da queda de cabelo ou das mudanças na mama, marcas que passam a carregar a partir daquele momento.”
“Surge o medo, a insegurança de não se sentirem mais desejadas ou até de decepcionar o parceiro, além da dor ao se olharem no espelho. Também há as dificuldades físicas, como dor e ressecamento, provocadas pela queda hormonal”, acrescenta Beatriz. “Tudo isso torna a relação sexual muito mais complexa. É um período que exige apoio, carinho, paciência, compreensão e empatia para atravessar essa fase de profundas transformações.”
Tratamentos que afetam a libido e o prazer
Segundo a especialista, os efeitos físicos e emocionais da doença e de seu tratamento frequentemente alteram a forma como a mulher se enxerga e como se relaciona com o próprio corpo.

Chrystina Barros é doutora em administração e venceu o câncer de mama. Para ela, a libido é diretamente afetada pelo tratamento da doença, pois a mama tem um valor simbólico muito forte. “Ela representa feminilidade, sensualidade, maternidade e quando há uma cirurgia, uma cicatriz, uma mudança nessa região, é natural que isso abale a autoestima e a forma como a mulher se enxerga. E isso, claro, impacta o desejo. A libido não é só um impulso físico; ela está ligada à motivação, à autoconfiança, à vontade de se sentir bem no próprio corpo.”
Os tratamentos de quimioterapia, hormonioterapia, radioterapia, cirurgia também trazem efeitos físicos diretos. Muitos reduzem os hormônios sexuais femininos, e isso interfere na lubrificação vaginal, na disposição e até na sensibilidade.
“Sexo é parte da vida, e não deve ser tratado como tabu. A mulher que passou por um câncer de mama continua sendo uma mulher inteira, desejante, capaz de sentir prazer e viver relações com amor, com tesão, com prazer”, acrescenta Chrystina.
A mastectomia também é uma vivência à parte que afeta a vida sexual da mulher. “Depois da mastectomia, é um processo de redescoberta. Redescobrir o próprio corpo, o toque, o que dá prazer, o que traz conforto. Às vezes sozinha, às vezes com o parceiro ou parceira. É sobre se permitir experimentar novamente. A relação com o corpo muda, mas pode continuar sendo fonte de prazer, se houver entrega e curiosidade.”
Dicas de bem estar
Para Chrystina falar sobre redescobrir a sexualidade depois do câncer de mama é fundamental. “Conversar com outras mulheres que passaram por isso, trocar experiências e buscar apoio faz diferença. Não é só uma questão individual, é sobre se reconhecer novamente, com o corpo que se tem hoje.“
A ginecologista Beatriz ainda salienta que é essencial cultivar o autocuidado. “Ter uma alimentação saudável, praticar atividade física e garantir uma boa noite de sono fazem toda a diferença no bem-estar, na libido e no equilíbrio do humor, impactando diretamente na sexualidade.”
“O cuidado com a região íntima também é essencial, o que gosto de chamar de ‘skin care da magnífica’. Isso inclui o uso de lubrificantes, hidratantes e, quando liberado pelo médico, hormônios locais, que têm ação restrita à região e não afetam o organismo de forma sistêmica”, acrescenta.


























