Paulo Cappelli

Saiba quem é a juíza aposentada por favorecer escritório de advocacia

Juíza de processo bilionário de falência foi aposentada compulsoriamente por beneficiar escritório dos filhos de promotor do caso

atualizado

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Divulgação TJAL
Emanuela Porangaba
1 de 1 Emanuela Porangaba - Foto: Divulgação TJAL

Aposentada compulsoriamente pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), a juíza Emanuela Bianca Oliveira Porangaba estava afastada das funções desde junho de 2024. Na época da decisão da Corregedoria-Geral de Justiça, ela integrava o colegiado de magistrados responsáveis pelo processo bilionário de falência da Laginha Agroindustrial, que pertencia ao empresário João Lyra, ex-deputado federal e pai de Tereza Collor.

Emanuela Porangaba ingressou na magistratura em 2008, foi titular da 21ª Vara Cível da Capital e atuou como juíza substituta e plantonista em Maceió e no interior do estado entre 2022 e 2023. Foi nesse período que ocorreram as irregularidades apontadas pelo corregedor-geral de Justiça, desembargador Domingos de Araújo Lima Neto.

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TJAL decidiu manter processo de falência da Laginha na Justiça alagoana
Herança se refere ao espólio de João Lyra, dono da Laginha Agroindustrial
Juíza Emanuela Porangaba foi afastada por suposto favorecimento a escritório dos filhos de Marcus Mousinho
Marcus Mousinho é promotor do caso Laginha e pai de advogados suspeitos de irregularidades
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Marcus Mousinho é promotor do caso Laginha e pai de advogados suspeitos de irregularidades

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TJAL decidiu manter processo de falência da Laginha na Justiça alagoana
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TJAL decidiu manter processo de falência da Laginha na Justiça alagoana

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Herança se refere ao espólio de João Lyra, dono da Laginha Agroindustrial
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Herança se refere ao espólio de João Lyra, dono da Laginha Agroindustrial

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Juíza Emanuela Porangaba foi afastada por suposto favorecimento a escritório dos filhos de Marcus Mousinho
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Juíza Emanuela Porangaba foi afastada por suposto favorecimento a escritório dos filhos de Marcus Mousinho

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De acordo com o relatório da Corregedoria, a magistrada ignorou inconsistências e erros em petições iniciais, autorizou transferências de titularidade de veículos sem a devida comprovação documental e direcionou processos para comarcas onde atuava como substituta. O esquema teria causado um prejuízo de R$ 1,7 milhão a instituições financeiras.

Os casos não tinham relação direta com o processo de falência da Laginha Agroindustrial, mas as decisões beneficiavam principalmente o escritório de advocacia de Carlos Henrique Costa Mousinho e Diego Aurélio Costa Mousinho, filhos do promotor de Justiça responsável pela ação bilionária, Marcus Aurélio Gomes Mousinho. O irmão do promotor, Marcello Mousinho Júnior, também foi citado pela Corregedoria por envolvimento no esquema.

Segundo o relatório, advogados ligados ao escritório Mousinho & Mousinho Advogados Associados chegaram a inventar endereços falsos para dar entrada em ações que seriam analisadas pela magistrada. Emanuela Porangaba ignorava a ausência de comprovantes de residência e proferia decisões favoráveis aos requerentes, principalmente com a exclusão de gravames registrados na documentação de veículos adquiridos pelos clientes do escritório.

“A mera prática reiterada de falta de prudência e os fortes indícios de favorecimento consciente às partes por meio de decisão judicial já são suficientes para a consumação das infrações disciplinares, sendo irrelevante se a eventual conduta da magistrada chegou a causar efetivos prejuízos financeiros”, anotou o corregedor.

Falência

Avaliada em R$ 3 bilhões e com dívidas fiscais e trabalhistas de aproximadamente R$ 4 bilhões, a massa falida da Laginha Agroindustrial reúne três usinas de açúcar e etanol. O processo de falência se arrasta há 20 anos na Justiça alagoana e, em maio, 13 dos 17 desembargadores do TJAL se declararam impedidos de julgar o caso. Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o processo deve ser julgado pelo próprio TJAL.

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