Paulo Cappelli

PF compra ferramenta para quebrar criptografia em aparelhos da Apple

Ferramenta adquirida pela Polícia Federal (PF) vai permitir quebra de senhas e criptografia em aparelhos da Apple apreendidos com suspeitos

atualizado

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PF compra ferramenta mirando aparelhos da Apple - Metrópoles
1 de 1 PF compra ferramenta mirando aparelhos da Apple - Metrópoles - Foto: Getty Images

A Polícia Federal (PF) passará a contar com ferramentas digitais destinadas a quebrar senhas e a criptografia aplicada em dados armazenados em dispositivos da Apple. A aquisição, conduzida pela Diretoria Técnico-Científica (Ditec), foi orçada em R$ 160,4 mil e inclui duas licenças para suítes de software de criptoanálise e duas licenças para soluções especializadas na quebra de senhas de equipamentos com sistema operacional MacOS e chip T2 apreendidos com suspeitos e criminosos.

Um estudo técnico elaborado pela Ditec justifica que a PF tem “encontrado dificuldades” em realizar perícias em pelo menos 16 modelos da Apple que dispõem do chip T2, devido à desatualização dos softwares utilizados pela corporação.

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Computadores da Apple trazem chip que dificulta perícias da PF
Estrangeiros detidos pela PF usavam dados fraudados pela ter acesso a benefícios no Brasil
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Estrangeiros detidos pela PF usavam dados fraudados pela ter acesso a benefícios no Brasil

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Computadores da Apple trazem chip que dificulta perícias da PF
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Computadores da Apple trazem chip que dificulta perícias da PF

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Os dispositivos citados pela Ditec são o iMac, o iMac Pro, Mac, Mac Mini, o MacBook Air e o MacBook Pro, todos com fabricação entre os anos de 2018 e 2020. O chip T2 é um co-processador embutido nos aparelhos que adiciona recursos de segurança como o armazenamento criptografado de dados, Touch ID e a inicialização por senha a partir de um sistema operacional confiável.

“Através do acompanhamento da casuística de exames técnicos realizados nessa unidade, bem como nas unidades de Criminalística descentralizadas da DITEC/PF é que foram identificadas dificuldades na realização de exames periciais em computadores e notebooks da marca Apple, pelo uso de chip intrínseco no hardware destes equipamentos (denominado chip T2), associado à implementação de segurança criptográfica”, afirma o documento.

Defasagem

A PF dispõe de dois laboratórios com licenças para softwares destinados à quebra de senhas: o Laboratório de Criptoanálise da Ditec e o Laboratório de Criminalística da Superintendência da PF no Paraná. As licenças foram adquiridas em 2018 e perderam a validade em 2024.

“Atualmente a criminalística da Polícia Federal não consegue atender demandas envolvendo criptoanálise de sistemas Apple com chip T2. Neste sentido, este Serviço de Perícias em Informática entende como fundamental para a continuidade das atividades do Laboratório de Criptoanálise e o aprimoramento das atividades do respectivo laboratório, a renovação da suíte de software em utilização no Laboratório de Criptoanálise e a contratação extra do módulo funcional que irá permitir ataques de quebra de senhas aos sistemas da marca Apple com chip T2”, alega o estudo técnico da licitação.

“O resultado esperado é a ampliação das atividades do Laboratório de Criptoanálise frente às demandas da Criminalística e a otimização dos exames periciais, com a possibilidade de acesso a sistemas Apple com criptografia, em caso de sucesso do processo de quebra de senha”, afirma o documento.

Validade

As licenças adquiridas pela PF terão validade por 60 meses e poderão ser utilizadas em 20 computadores ao mesmo tempo. “O surgimento e emprego de ferramentas tecnológicas capazes de restringir o alcance e a eficácia da capacidade investigatória da Polícia Federal demanda a atualização tecnológica constante do ferramental disponível para investigações criminais”, argumenta a Ditec.

“Dentre os obstáculos e intempéries enfrentados na investigação criminal contemporânea, destaca-se a utilização de sistemas e meios de comunicação criptografados que são utilizados, muitas das vezes, como anteparos para prática delituosa, evitando, assim, a eficácia da colheita probatória e potencializando a destruição de eventuais provas”, observa.

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