
Paulo CappelliColunas

Master: deputado pede ao MPF bloqueio de bens de Cláudio Castro
Deputado Otoni de Paula cobra responsabilização de Cláudio Castro em eventual prejuízo ao estado do Rio por investimentos no Banco Master
atualizado
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O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) pediu ao Ministério Público Federal (MPF) o bloqueio de bens do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), para eventual ressarcimento de supostos danos ao erário causados por investimentos do Fundo Único de Previdência Social (Rioprevidência) e da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) em títulos e ativos vinculados ao Banco Master.
A notícia-crime apresentada pelo parlamentar cita divergência de valores apontados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e pelo Rioprevidência, supostamente investidos no banco. Segundo Otoni, o governo do Rio, por meio da Cedae, “teria cerca de R$ 231 milhões a R$ 248 milhões alocados em CDBs da instituição”.
Investigado pela Polícia Federal (PF) por fraudes em operações financeiras e venda de até R$ 122 bilhões em carteiras inexistentes, o Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, afetando cerca de 800 mil investidores.
Segundo Otoni de Paula, a medida adotada pelo Banco Central “reforça o risco material e atual de dano ao erário e, sobretudo, aos segurados do regime próprio, salientando-se, inclusive, que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não cobre, em regra, aplicações de RPPS”.
Responsabilização
De acordo com a representação protocolada pelo parlamentar, Castro teria responsabilidade pelo eventual prejuízo sofrido pelo estado do Rio “à luz da cadeia decisória e de comando da Administração estadual”, inclusive com “eventual conhecimento prévio de alertas e determinações de órgãos de controle” e “eventual participação direta ou indireta em tratativas, orientações ou atos”. Procurado, o governador não se manifestou sobre a acusação do parlamentar.
O deputado pede ao MPF a requisição de documentos relativos aos investimentos da Cedae e do Rioprevidência junto ao TCE-RJ, ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários e às próprias instituições, além da “propositura, perante o Superior Tribunal de Justiça, de medidas cautelares patrimoniais (cautelares reais) consistentes em sequestro, arresto e/ou indisponibilidade de bens, direitos e valores” de Cláudio Castro, “na extensão da participação apurada”.
“A medida é necessária diante do fundado receio de dissipação patrimonial e da relevância do interesse público subjacente (proteção do patrimônio público e do equilíbrio financeiro/atuarial do RPPS), em cenário de apuração de cadeia decisória, origem/lastro dos instrumentos e eventual percepção de vantagens indevidas”, argumenta Otoni de Paula.





