Paulo Cappelli

Lula busca distensionar relação com o Congresso e faz mea-culpa

O presidente Lula buscou distensionar a relação entre governo e Congresso Nacional

atualizado

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Divulgação/YouTube Lula
Foto colorida do presidente Lula (PT)
1 de 1 Foto colorida do presidente Lula (PT) - Foto: Divulgação/YouTube Lula

O presidente Lula buscou amenizar, nesta segunda-feira (15/12), a relação do governo com a Câmara e o Senado, meses após criticar publicamente o Congresso Nacional. A declaração ocorre em meio a um esforço do Palácio do Planalto para reduzir tensões com parlamentares e destravar pautas de interesse do governo.

Durante um evento em Brasília, o petista afirmou ser “muito grato a tudo que o Congresso tem feito por nós nesses três anos” e que “aquilo que não foi aprovado” se deve, “possivelmente, porque a gente [articulação do PT] não teve capacidade de convencer” deputados e senadores. A fala foi interpretada por interlocutores como um reconhecimento público das dificuldades na coordenação política.

Nos bastidores, a avaliação é que o discurso também funcionou como um recado interno. Ao assumir parte da responsabilidade pelas derrotas, Lula sinalizou cobrança direta sobre a equipe responsável pela articulação no Legislativo, que enfrenta resistência de diferentes blocos partidários e dificuldades para consolidar maioria estável.

Aliados relatam ainda que a declaração teve duplo objetivo: recompor pontes com líderes do Congresso e, ao mesmo tempo, ajustar o tom junto à base governista. A leitura no Planalto é que a estratégia passa por reduzir o desgaste público, recalibrar a interlocução com o Parlamento e reforçar a necessidade de uma coordenação política mais eficiente para as próximas pautas legislativas, a exemplo do PL da Dosimetria.

Críticas

As recentes tentativas de distensão ocorrem após declarações duras do presidente feitas em outubro. No dia 15, durante evento em alusão ao Dia dos Professores, Lula afirmou que “o Hugo é presidente desse Congresso” e acrescentou que o Parlamento “nunca teve a qualidade de baixo nível como até agora”. Na mesma ocasião, disse que “aquela extrema direita que se elegeu na eleição passada é o que existe de pior”.

No dia seguinte, 16 de outubro, durante evento do PCdoB, o presidente voltou a criticar a composição da Casa. “O Congresso nunca esteve tão ruim como está hoje, com gente que não está qualificada para ser deputada, a não ser para fazer provocação”, declarou.

As falas, à época, repercutiram negativamente entre parlamentares e ampliaram o desgaste entre o Executivo e o Legislativo, especialmente entre lideranças do Centrão e da oposição.

O tom crítico também foi reforçado por integrantes da base governista. O deputado federal Reimont (PT-RJ) afirmou, no dia 17 de julho, que gostaria de ver um Parlamento mais alinhado às demandas sociais. “Como eu queria que o Congresso do qual faço parte estivesse alinhado com o povo brasileiro, preocupado em cuidar dos mais empobrecidos, do nosso planeta, da saúde, da educação, da distribuição de renda, com a reforma agrária e urbana. Mas ele não está. E, por isso, faz jus à tarja de ‘inimigo do povo’”, disse.

Segundo o parlamentar, a avaliação é feita “com muita dor”, após 17 anos de atuação política. “Luto pela qualificação da atividade política, responsável por tudo de bom e de ruim, de digno ou infeliz que há na vida das pessoas”, completou.

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