
Paulo CappelliColunas

Erika Hilton cobra apuração do MP sobre jogo baseado no caso Epstein
Deputada Erika Hilton pede abertura de investigação sobre trabalho de alunos do ITA baseado em esquema de exploração sexual de Epstein
atualizado
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A deputada Erika Hilton (PSol-SP) cobrou apuração do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre um jogo criado por alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) que reproduz a dinâmica de abusos sexuais descrita no caso do financista Jeffrey Epstein, nos Estados Unidos.
Em requerimento apresentado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, a parlamentar pede abertura de investigação “de denúncias relativas à ameaça ou à violação dos direitos da mulher, em especial as vítimas de violência doméstica, física, psicológica e moral”.
O jogo elaborado pelos alunos do ITA, instituição vinculada à Força Aérea Brasileira (FAB), simula a fuga de uma garota de 15 anos presa em uma ilha com abusadores sexuais. O contexto se refere ao local para onde Epstein traficou dezenas de crianças no esquema de pedofilia comandado por ele. A apresentação do jogo contou com uma foto de Epstein, reforçando a referência.
“Ao transformar um cenário de trauma real e crimes hediondos em entretenimento digital, os autores não apenas demonstram falta de ética e empatia, mas também reforçam uma cultura de misoginia e violência que desumaniza as mulheres”, argumentou Erika Hilton, no requerimento.
“A gravidade do fato é acentuada por ocorrer em um ambiente acadêmico que deveria prezar pela formação cidadã e pelo respeito aos Direitos Humanos. A reprodução de dinâmicas baseadas no “sistema Epstein” — que envolveu a coação e o abuso sistemático de jovens — é uma afronta à dignidade das mulheres e um retrocesso no enfrentamento à violência de gênero no Brasil. Não podemos admitir que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de propagação de ódio e banalização do crime”, afirmou a deputada.
“Assunto inapropriado”
Em nota, o ITA informou que a apresentação fez parte de um trabalho no qual os alunos deveriam elabora propostas jogos que seriam desenvolvidos durante o semestre. A ideia foi rejeitada por tratar de um “assunto inapropriado”.
“O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição. Ações de conscientização serão reforçadas junto à comunidade discente por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e demais órgãos da estrutura administrativa e acadêmica do Instituto”, afirmou.





