
Paulo CappelliColunas

Dino cita risco de sanções da FIFA em disputa na Federação Maranhense
Magistrado citou em liminar alerta da CBF de que intervenção na FMF pode resultar em sanções da FIFA e da Conmebol
atualizado
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O ministro Flávio Dino (STF) registrou em decisão liminar que a intervenção judicial na Federação Maranhense de Futebol (FMF) pode gerar sanções da FIFA e da Conmebol. Ele reproduziu alerta enviado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que participa do processo e afirmou que a continuidade da medida pode levar a punições internacionais, motivo pelo qual pediu limites à atuação do Judiciário.
A reclamação foi apresentada pelo presidente da FMF, Antônio Américo, que contesta decisões da Justiça do Maranhão que afastaram a diretoria e nomearam uma interventora. Ele afirma que houve “invasão indevida de matérias interna corporis” e aponta risco de acesso a “informações financeiras sensíveis sem autorização judicial específica”.
Nos autos, a CBF afirmou que a manutenção da intervenção pode resultar em punições internacionais. Segundo a entidade, a medida “poderá levar à aplicação de severas sanções à FMF por parte da CBF – e, no limite, dos organismos internacionais (FIFA e Conmebol)”.
O caso envolve acusações de irregularidades na gestão da federação. Relatórios judiciais mencionados no processo apontam que o patrimônio da FMF teria sofrido “redução superior a 80% em três anos” e fazem referência a suspeitas de que o Instituto Maranhense de Futebol teria sido usado para “blindagem patrimonial e fraude à execução”.
Ao analisar o pedido, Dino reconheceu a necessidade de atuação judicial, mas afirmou que ela deve ocorrer “com a menor invasividade possível”, citando a autonomia esportiva e a normativa internacional conhecida como Lex Sportiva, conjunto de regras e entendimentos consolidados por entidades como FIFA e CAS (Tribunal Arbitral do Esporte), que orientam a autorregulação do esporte em âmbito global.
O magistrado proibiu mudanças estatutárias e eleições durante a intervenção e determinou a realização, até março de 2026, de audiência de conciliação com participação da CBF, do Ministério Público e da interventora.
A decisão também exige que a interventora apresente relatório detalhado sobre as medidas adotadas. O processo segue em tramitação no Supremo.