
Paulo CappelliColunas

Conselheiro defende nomeação de ex-PM suspeito de chacina : “Bonzinho”
No plenário do TCE-PR, o conselheiro Fábio de Souza Camargo disse que “ficha limpa não quer dizer nada”: “Quem vê a minha sai correndo”
atualizado
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O conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) Fábio de Souza Camargo saiu em defesa do ex-policial militar Eleozir José da Silva, nomeado por ele para um cargo de R$ 24,5 mil no órgão. O ex-militar foi preso em 2014, suspeito de participar de chacinas e extorquir traficantes, e em 2016, após tentar fugir de uma abordagem da PRF com armas e uma balaclava.
Camargo minimizou as acusações contra Silva e disse que ter a ficha limpa “não quer dizer nada”. O conselheiro criticou o Ministério Público do Paraná por tentar “se intrometer”, desde 2024, nas nomeações feitas por ele e disse ter sido alvo do órgão em “acusações falsas”.
“Eu venho aqui a público pedir apoio a essa casa porque não podemos mais aceitar intromissão de fora. Porque é inadmissível que eu seja superintendente, responsável, e tenha que sofrer pressão de fora para dentro de quem eu vá nomear. Aí eles vão olhar processos, acusações ou até mesmo decisões de mérito. Eu quero dizer que ficha limpa, pseudo-ficha limpa, não quer dizer nada. Se você for olhar minha ficha, a pessoa sai correndo”, disse Camargo.
“No ano de 2024, o Ministério Público do Estado do Paraná, através da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, ousou fazer uma instrução de procedimento preparatório e solicitou providências a esse tribunal sobre uma indicação que eu tinha feito. Também na Inspetoria. Naquele momento, eu vinha com diversos processos contra mim, acusações falsas do próprio Ministério Público”, declarou Camargo.
Silva foi nomeado pelo conselheiro em 2025, no cargo de assessor especial do gabinete. Em março deste ano, o ex-militar foi designado para ocupar a função comissionada de inspetor de controle externo na 6ª Inspetoria, da qual Camargo é superintendente. Somado ao adicional de férias, o vencimento de Silva no TCE-PR foi de R$ 59,6 mil no mês passado.
“Então, eu venho aqui para fazer um desagravo ao atual inspetor da 6ª Inspetoria [Silva], que tem meu apoio incondicional. Fala mansa, bonzinho, respeitoso, organizado, mas sério. E as pessoas tem medo de pessoas sérias, mas só os que devem. Só os que fazem coisa errada. E foi por isso que eu fui tão agredido em tantos processos. E quem sabe por isso ele esteja sendo tão atacado. E por isso ele foi tão atacado no passado”, disse Camargo.
Prisões
O ex-soldado do Bope Eleozir José da Silva e mais dois militares foram presos em dezembro de 2014, acusados de integrar um grupo responsável por chacinas em Curitiba e pela prática de extorsão a traficantes. Eles foram apontados como autores de 11 homicídios, com vítimas com idades entre 14 e 46 anos.
Em março de 2016, três meses após ter um pedido de habeas corpus acolhido pela Justiça do Paraná, o ex-militar foi preso em flagrante pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) após tentar fugir de uma abordagem. Com ele, foram encontrados um rádio comunicador, um revólver, uma pistola e uma balaclava. Silva estava suspenso das funções na PM.







