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Neila Guimarães

PT pede bloqueio de até R$ 6 bilhões de Flávio Bolsonaro

Deputados acionaram o STF após senador descumprir ordem de entregar passaportes; viagem aos EUA foi noticiada nesta terça-feira

27/10/2026 17:48
Reprodução Metrópoles
PT pede bloqueio de até R$ 6 bilhões de Flávio Bolsonaro

Três deputados federais do PT pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (27/10), o bloqueio urgente de bens, direitos e valores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), até o limite de R$ 6 bilhões. O pedido foi apresentado por Lindbergh Farias (PT-RJ), Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG), que também solicitaram que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste em até 24 horas.

A iniciativa ocorre após Flávio descumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF). O senador deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, segundo informações divulgadas nesta terça-feira pela imprensa e confirmadas à agência Reuters por um aliado do parlamentar e uma fonte do governo norte-americano. O paradeiro de Flávio era desconhecido durante parte da manhã, quando a PF apurava as circunstâncias de sua saída do país.

Na petição encaminhada ao STF, os deputados argumentam que a ausência do senador e o descumprimento da ordem judicial reforçam o risco de transferência ou ocultação de patrimônio. O pedido sustenta que a indisponibilidade dos bens é necessária para evitar que eventuais recursos sejam enviados ao exterior antes de uma decisão judicial.

Investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro

O inquérito conduzido no STF apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Segundo a petição, um relatório da Polícia Federal levantou a hipótese de que os dois mantenham uma sociedade de fato, apesar de não figurarem formalmente como sócios nos registros empresariais mencionados na investigação.

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Em 23 de outubro, Moraes determinou o bloqueio de bens e valores de Willer Tomaz até o limite de R$ 6 bilhões, além da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e cambial e da suspensão das atividades de suas empresas. No dia 26, o ministro determinou o cancelamento dos passaportes de Flávio, proibiu sua saída do país e vedou o contato entre ele e o advogado.

Até a apresentação do novo pedido, as medidas patrimoniais citadas pelos parlamentares haviam alcançado Willer, mas não o senador. Os deputados argumentam que, caso a hipótese de sociedade de fato seja confirmada, manter livre o patrimônio de Flávio poderia comprometer a efetividade das medidas cautelares.

Conta em Portugal e suspeitas envolvendo bets

Um dos pontos destacados na petição é a conta bancária da Alcazar Holdings, empresa sediada na Região Autônoma da Madeira, em Portugal. Willer Tomaz aparece como único sócio formal da companhia, mas documentos bancários citados na ação apontariam Flávio como “usuário master” da conta, perfil que, segundo os parlamentares, permitiria elevado nível de acesso e gerenciamento.

A empresa também detinha participação na Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., proprietária de um jato executivo utilizado por Flávio em uma viagem entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília, em janeiro de 2025. O senador teria viajado com a família e Willer Tomaz.

A petição menciona ainda a apuração sobre uma possível participação oculta de Flávio na BestBet, marca ligada à Rede Loto e à holding Cathedral Holdings, também sediada na Madeira. A investigação busca esclarecer eventuais vínculos econômicos entre o senador, o advogado e as estruturas empresariais citadas.

Willer Tomaz, por sua vez, negou a existência de sociedade com Flávio e afirmou publicamente que o senador nunca teve acesso de “usuário master” à conta bancária da Alcazar Holdings. A assessoria de Flávio também sustenta que a relação entre os dois é de amizade, segundo informações reproduzidas na petição.

Deputados pedem bloqueio no Brasil e no exterior

O pedido encaminhado a Moraes prevê o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos, investimentos, participações societárias, criptoativos e outros bens eventualmente mantidos em nome do senador, de pessoas interpostas ou de empresas das quais ele seja sócio ou beneficiário.

Os parlamentares também solicitam a adoção de medidas para identificar ativos financeiros e patrimoniais no exterior, com pedidos de cooperação jurídica internacional a Portugal e aos Estados Unidos.

Como alternativa, caso o STF entenda que ainda faltam elementos para fixar o valor total da medida, os deputados pedem o bloqueio imediato dos ativos financeiros e do imóvel declarados pelo senador à Justiça Eleitoral.

Na declaração apresentada em 2026, Flávio informou patrimônio de R$ 8,18 milhões. Entre os bens está uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,22 milhões. A declaração também inclui cerca de R$ 1,77 milhão em fundos de investimento e saldos bancários, além de veículo e participações societárias.

Os deputados sustentam que parte desses recursos pode ser transferida rapidamente para outras contas ou para o exterior, o que justificaria a urgência da medida.

O pedido ainda depende de análise do Supremo. Os parlamentares solicitaram que a PGR seja ouvida em 24 horas e que a medida seja apreciada em caráter de urgência, sem intimação prévia do senador.