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Neila Guimarães

O que os times esperam da conversa com o governo na terça-feira?

Diretores de clubes devem adotar uma postura mais de escuta do que de fala na reunião com os ministérios do Esporte e da Fazenda

28/09/2026 11:20, atualizado 28/09/2026 11:22
Krisanapong Detraphiphat/Getty Images
Bets

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir a operação das bets no Brasil produziu uma nova frente de pressão sobre o governo: o futebol. Representantes dos clubes das Séries A e B e da CBF se reúnem nesta terça-feira (29) com integrantes dos ministérios do Esporte e da Fazenda para discutir os efeitos da medida sobre as equipes.

Segundo aliados próximos ao Palácio do Planalto, a expectativa do governo é que os dirigentes dos clubes tenham mais disposição para ouvir do que para apresentar reivindicações durante o encontro. A ideia é expor as alternativas que estão sendo estudadas pelo Executivo para reduzir o impacto financeiro provocado pelo fim dos patrocínios das empresas de apostas.

Uma das possibilidades em discussão é a ampliação da participação de bancos públicos no financiamento e no patrocínio do futebol, com nomes como Caixa Econômica Federal e BRB no radar. O governo também avalia mecanismos de crédito para os clubes e medidas relacionadas às dívidas das equipes com a União.

A preocupação dos times aumentou depois que a medida provisória assinada por Lula determinou o fim da exploração, da oferta, da intermediação e da publicidade das bets. Os contratos de patrocínio terão de ser encerrados, com prazo para retirada das marcas até 5 de outubro.

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O tamanho do problema para o futebol já foi calculado pelo próprio governo. Dados apresentados pelo Ministério da Fazenda indicam que os patrocínios de empresas de apostas somaram R$ 1,14 bilhão aos clubes da Série A em 2025, o equivalente a 7,9% das receitas totais das equipes. 

Governo tenta conter reação

A reunião desta terça-feira ocorre justamente para dimensionar o impacto da decisão e discutir alternativas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende ouvir clubes e federações antes de definir eventuais medidas de apoio ao setor.

Nos bastidores, porém, o problema ultrapassa as finanças dos clubes. Dirigentes de futebol têm forte capacidade de articulação política e podem se transformar em mais um grupo de pressão sobre o Congresso na reta final do ano eleitoral.

A avaliação de aliados do Planalto é que o setor de apostas também possui uma rede relevante de interlocução no Legislativo. A mudança abrupta das regras pode, portanto, aumentar a resistência de parlamentares a iniciativas defendidas pelo governo.

Entre as preocupações está a tramitação de pautas de interesse do Executivo, como a redução da jornada de trabalho e o debate em torno do fim da escala 6 por 1. A avaliação de interlocutores do governo é que o tema das bets pode se somar a outras disputas e tornar mais difícil a construção de maioria para projetos considerados prioritários pelo Planalto.

Em busca de soluções

Outra frente pode surgir no Congresso a partir de novembro. O antigo PL 442/1991, que trata da exploração de jogos e apostas no país, tramita atualmente no Senado como PL 2.234/2022. A proposta permite a exploração de cassinos, bingos, jogos on-line e jogo do bicho, sob regras de fiscalização e controle.

O texto está pronto para deliberação do Plenário. O relator é o senador Irajá (PSD-TO). Em dezembro de 2025, uma tentativa de dar urgência à matéria foi rejeitada por 36 votos a 28, e o projeto seguiu o rito ordinário.

Com a decisão do governo de extinguir as bets, projetos que tratam da legalização ou regulamentação de jogos e apostas podem ganhar novo peso no debate parlamentar.