
Candidato do PL alega pressão do partido para apoiar Wellington Fagundes
Thiago Boava denuncia corte de repasses do Fundão para candidatos que não subirem no palanque de aliados do partido

O Partido Liberal do Mato Grosso está pressionando candidatos a deputado estadual e federal a apoiar a campanha de Wellington Fagundes (PL), ao governo do estado. A pressão também se estende ao apoio à candidatura de Janaína Riva (MDB), ao Senado.
Janaína Riva é presidente estadual do MDB e nora do senador Wellington Fagundes, candidato do PL ao governo de Mato Grosso.
A denúncia partiu do candidato a deputado federal Thiago Boava, que relatou a situação nas redes sociais. Segundo ele, há um boicote à sua candidatura por se recusar a apoiar a composição defendida pelo partido.
Boava afirma que também não recebeu integralmente os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado Fundão, que teriam sido negociados com o PL nacional. Segundo o candidato, o acordo firmado com Valdemar Costa Neto, presidente do partido, previa o repasse de R$ 1,5 milhão para a campanha.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAté o momento, Boava diz ter recebido R$ 400 mil. O restante, segundo ele, seria pago em 16 de setembro. O candidato afirma, porém, que já foi informado de que não receberá a segunda parcela.
A equipe de campanha de Boava afirma que outros candidatos também estariam sendo pressionados, mas preferem se manter em silêncio por receio de perder ainda mais apoio da legenda.
O apoio do PL à candidatura de Janaína Riva teria sido articulado por Fagundes diretamente com Valdemar Costa Neto. De acordo com o relato, a negociação foi fechada no dia 2 de agosto, durante as convenções do partido em Brasília.
Amizade com a família Bolsonaro
Thiago Boava, que mantém proximidade com a família Bolsonaro, alega que Wellington Fagundes não representa os princípios da direita e do bolsonarismo. Segundo ele, Fagundes manteve trânsito político e indicou nomes para cargos, como superintendências do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), ao longo de cerca de 20 anos, inclusive durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Fagundes é conhecido entre o grupo bolsonarista como “Melancia” (verde por fora e vermelha por dentro), termo usado para insinuar que o político é um conservador de fachada, mas alinhado à esquerda.
Boava era casado com a deputada Amália Barros (PL-MT), que era amiga da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Amália morreu em 2024, mas, segundo Boava, a proximidade com Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro foi mantida.
Procurado pela coluna, Valdemar Costa Neto confirmou que o partido condiciona o repasse de recursos ao apoio aos candidatos da sigla.
“Não tem que dar recursos para quem não trabalha para nossos candidatos”, afirmou.
Segundo Valdemar, esse problema não deverá mais ocorrer porque os recursos destinados pelo partido já teriam acabado.
Questionado especificamente sobre o pagamento dos R$ 400 mil a Thiago Boava, o presidente nacional do PL respondeu: “É muito para quem não trabalha para nossos candidatos.”



