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Mirelle Pinheiro

TJ manda comentarista se retratar após chamar Bahia de "câncer do Brasil"

Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada multa de R$ 100 mil por obrigação não cumprida a Rodrigo Constantino

09/10/2026 16:09
Reprodução Instagram Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

A Justiça da Bahia determinou que o economista e comentarista político Rodrigo Constantino (foto em destaque) remova das redes sociais um vídeo em que chama o estado de “câncer do Brasil”, classifica Salvador como “um lixo” e afirma que os baianos são uma vergonha para o país. A decisão também obriga o economista a fazer uma retratação pública sobre as declarações.

A determinação foi assinada na quinta-feira (8/10) pelo juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública de Salvador. Constantino terá cinco dias, a partir da intimação, para cumprir as duas medidas. Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada multa de R$ 100 mil por obrigação não cumprida.

O magistrado concedeu parcialmente a tutela provisória de urgência solicitada no processo. A decisão estabelece que o vídeo seja removido do Instagram e de outros canais oficiais administrados diretamente pelo comentarista em que o mesmo conteúdo tenha sido publicado.

Além disso, a retratação deverá ser divulgada nos perfis públicos e nas redes sociais de Constantino, em formato de carta, texto ou vídeo, e permanecer em destaque por pelo menos 30 dias.

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Na decisão, o juiz avaliou que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e da liberdade de expressão. Segundo o magistrado, as falas atingem a honra e a identidade da população baiana e vão além de manifestações contrárias ao resultado eleitoral.

O conteúdo original já não estava disponível no perfil de Constantino na manhã desta sexta-feira (9/10). Até a última atualização desta reportagem, porém, a retratação ainda não havia sido publicada.

Publicação

O vídeo que motivou a ação foi publicado no domingo (4/10), após o primeiro turno das Eleições 2026. Na gravação, Constantino relacionou o resultado eleitoral da Bahia à sua avaliação negativa sobre o estado e os moradores.

“Olha, o pessoal acha que eu pego no pé, aí vem a turma da Globo chamar de xenofobia, e eu estou pouco me lixando para isso. Vou falar para vocês: ‘A Bahia é o câncer do Brasil, é o câncer”, declarou.

Em outro trecho, afirmou que ninguém queria trabalhar no estado. “Já tive lá algumas vezes: a trabalho e a lazer. Salvador é um lixo. Eu fui mais para o interior fazer uma feira literária e fiquei chocado. Segunda-feira, 11h30, e um monte de gente no barzinho, com violão e cerveja. Ninguém quer trabalhar”.

Constantino também afirmou que ficou surpreso ao ver pessoas em bares em uma segunda-feira pela manhã e usou os relatos para criticar os hábitos de trabalho dos moradores.

Após a repercussão, ele publicou um segundo vídeo na segunda-feira (5/10). Na gravação, disse que estava protegido pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, país onde mora, e alegou que a intenção era criticar o Partido dos Trabalhadores (PT), e não a população baiana.

Na ocasião, pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou que, ao chamar a Bahia de “câncer do Brasil”, queria se referir à força do petismo no estado.

“Teve gente que não gostou, não entendeu, então fica aqui a minha retratação. Quando digo que a Bahia é o câncer do país, o que quero dizer é que ali está o reduto do petismo. Para mim, o PT é o câncer do Brasil. É isso que quero dizer”, declarou.

Como mostrou a colunista Milena Teixeira, a repercussão das declarações motivou uma representação do deputado federal Jorge Solla (PT-BA) ao Ministério Público Federal (MPF), apresentada na segunda-feira (5/10). O parlamentar pediu que Constantino fosse investigado pela suposta prática de discriminação, prevista no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989.

Constantino relacionou as declarações ao resultado eleitoral na Bahia, onde Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador e Rui Costa e Jaques Wagner, também do PT, foram eleitos para o Senado.