
Mirelle PinheiroColunas

TH Joias será interrogado pela PF; saiba quem é o político
Ele foi preso em setembro deste ano. Nesta quarta (3/12), o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, também foi detido pela PF
atualizado
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Preso em setembro deste ano por suposta ligação com o Comando Vermelho (CV), o então deputado estadual do Rio de Janeiro (RJ) Thiego Raimundo dos Santos Silva, mais conhecido como TH Joias, prestará depoimento à Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Unha e Carne, que levou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), à prisão nesta quarta-feira (3/12).
A PF obteve autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para conduzir o ex-deputado à sede da corporação, localizada na Região Portuária do RJ, onde ele será ouvido.
Quem é TH Joias
Muito antes de entrar no universo político, TH Joias já tinha o nome em destaque e lidava com grandes quantidades de dinheiro. Após a morte de seu pai, o homem, que nasceu no Morro do Fubá, na Zona Norte do Rio, herdou uma joalheria.
Antes de ser preso, costumava exibir em suas redes sociais as joias criadas especialmente para famosos. Já criou peças para os jogadores de futebol Neymar, Vini Jr. e Adriano Imperador, além de ter como clientes os cantores MC Gui e Ludmilla.
“Ferrari no pescoço”
Em abril do ano passado, Marlon Brendon Coelho, o MC Poze do Rodo, publicou uma foto em que aparecia usando um colar de ouro. Posteriormente, ficou constatado que a peça havia sido criada pelo ex-deputado, e o valor total do acessório surpreendeu os seguidores do funkeiro.
Nos comentários, um internauta afirmou que Poze estaria carregando “uma Ferrari no pescoço”. Isso porque o cordão está avaliado em cerca de R$ 2,8 milhões.
Ligação com o Comando Vermelho
Mesmo com a carreira consolidada no ramo de joias e a conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), TH Joias passou a trabalhar para a facção criminosa Comando Vermelho (CV), conforme apontam as investigações.
Deflagradas em 3 de setembro deste ano, as operações Bandeirante e Zargun, que culminaram na prisão de TH, apontaram conexões diretas entre o ex-deputado e Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, um dos chefes mais influentes do CV.
As investigações identificaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual e um deputado estadual empossado em 2024.
De acordo com as investigações, TH utilizava o mandato para intermediar interesses da facção, atuando na compra e venda de drogas, fuzis e até equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, área de domínio da organização.
A prisão de Bacellar
O presidente da Alerj foi preso nesta quarta (3) suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, a mesma que prendeu TH Joias.
Os mandados — um de prisão preventiva, oito de busca e apreensão e um de intimação para medidas cautelares — foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e fazem parte das determinações da ADPF das Favelas (ADPF 635), que atribuiu à PF a responsabilidade de investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro.
Procurada pela coluna, a Alerj informou que “ainda não foi comunicada oficialmente sobre a operação ocorrida nesta manhã. Assim que tiver acesso a todas as informações, irá tomar as medidas cabíveis.”
























