
Mirelle PinheiroColunas

Vírus letal atinge Ararinha-azul e PF faz operação na Bahia e DF
Empresas e pessoas físicas vinculadas ao programa de reintrodução da Ararinha-azul, em Curaçá (BA), descumpriram protocolos sanitários
atualizado
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (3/12), a Operação Blue Hope para apurar a disseminação de uma doença altamente contagiosa que atingiu Ararinhas-azuis, espécie considerada criticamente ameaçada de extinção e símbolo dos esforços de conservação no Brasil.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nos municípios de Curaçá (BA) e Brasília (DF). Cerca de 30 policiais participam da ação.
À coluna, a defesa do Criadouro Ararinha-azul informou que a PF apreendeu celulares e computadores de funcionários da empresa, e que as aves permanecem no local, aos cuidados dos colaboradores e sob a tutela do Estado.
Os responsáveis pela defesa declararam, ainda, que mantêm total tranquilidade em relação à operação sobre o circovírus no Brasil, uma vez que “a investigação já era esperada, pois foi o próprio criadouro quem comunicou a detecção do vírus a todos os órgãos ambientais, em maio de 2025.”
“O criadouro sempre atendeu todas as normas de biossegurança e ressalta que todas as 103 ararinhas que vivem no local estão recebendo os cuidados apropriados, com bom estado clínico geral”, disse.
Vírus identificado em área de reintrodução
A investigação indica que empresas e pessoas físicas vinculadas ao programa de reintrodução da Ararinha-azul, em Curaçá (BA), descumpriram protocolos sanitários obrigatórios.

Esse descumprimento teria permitido a entrada e propagação do circovírus aviário (PBFD), doença sem cura, altamente transmissível e com potencial de comprometer não apenas a espécie, mas outras aves da região da Caatinga.
O vírus é especialmente devastador porque causa imunossupressão e lesões graves nas penas, levando ao enfraquecimento e morte dos animais.
Resistência às medidas de emergência
A apuração também identificou resistência às ordens do ICMBio para isolamento sanitário, testagem em série e recolhimento de aves de vida livre, medidas essenciais para conter a transmissão do patógeno.
Os mandados autorizam a apreensão de aves, documentos e dispositivos eletrônicos que possam comprovar falhas no manejo sanitário ou ocultação de dados sobre o surto.
As diligências foram autorizadas pela Vara Federal de Juazeiro (BA).
Os alvos podem responder por disseminação de doença capaz de causar dano à fauna; matar animais silvestres; obstrução de fiscalização ambiental.
Somadas, as penas podem chegar a oito anos de prisão, além de sanções administrativas.
Espécie símbolo em risco
A Ararinha-azul, considerada extinta na natureza por mais de duas décadas, voltou a viver na Caatinga graças a um complexo programa de reprodução em cativeiro e reintrodução.
A possibilidade de que um vírus tenha sido introduzido por falhas humanas acende um alerta máximo entre órgãos ambientais, pesquisadores e conservacionistas.
