Mirelle Pinheiro

Vírus letal atinge Ararinha-azul e PF faz operação na Bahia e DF

Empresas e pessoas físicas vinculadas ao programa de reintrodução da Ararinha-azul, em Curaçá (BA), descumpriram protocolos sanitários

atualizado

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Vírus letal atinge Ararinha-azul e PF faz operação na Bahia e DF
1 de 1 Vírus letal atinge Ararinha-azul e PF faz operação na Bahia e DF - Foto: Patrick Pleul/picture alliance via Getty Images

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (3/12), a Operação Blue Hope para apurar a disseminação de uma doença altamente contagiosa que atingiu Ararinhas-azuis, espécie considerada criticamente ameaçada de extinção e símbolo dos esforços de conservação no Brasil.

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nos municípios de Curaçá (BA) e Brasília (DF). Cerca de 30 policiais participam da ação.

À coluna, a defesa do Criadouro Ararinha-azul informou que a PF apreendeu celulares e computadores de funcionários da empresa, e que as aves permanecem no local, aos cuidados dos colaboradores e sob a tutela do Estado.

Os responsáveis pela defesa declararam, ainda, que mantêm total tranquilidade em relação à operação sobre o circovírus no Brasil, uma vez que “a investigação já era esperada, pois foi o próprio criadouro quem comunicou a detecção do vírus a todos os órgãos ambientais, em maio de 2025.”

“O criadouro sempre atendeu todas as normas de biossegurança e ressalta que todas as 103 ararinhas que vivem no local estão recebendo os cuidados apropriados, com bom estado clínico geral”, disse.

Vírus identificado em área de reintrodução

A investigação indica que empresas e pessoas físicas vinculadas ao programa de reintrodução da Ararinha-azul, em Curaçá (BA), descumpriram protocolos sanitários obrigatórios.

PF faz operação contra vírus letal que ameaça ararinha-azul
PF faz operação contra vírus letal que ameaça ararinha-azul

Esse descumprimento teria permitido a entrada e propagação do circovírus aviário (PBFD), doença sem cura, altamente transmissível e com potencial de comprometer não apenas a espécie, mas outras aves da região da Caatinga.

O vírus é especialmente devastador porque causa imunossupressão e lesões graves nas penas, levando ao enfraquecimento e morte dos animais.

Resistência às medidas de emergência

A apuração também identificou resistência às ordens do ICMBio para isolamento sanitário, testagem em série e recolhimento de aves de vida livre, medidas essenciais para conter a transmissão do patógeno.

Os mandados autorizam a apreensão de aves, documentos e dispositivos eletrônicos que possam comprovar falhas no manejo sanitário ou ocultação de dados sobre o surto.

As diligências foram autorizadas pela Vara Federal de Juazeiro (BA).

Os alvos podem responder por disseminação de doença capaz de causar dano à fauna; matar animais silvestres; obstrução de fiscalização ambiental.

Somadas, as penas podem chegar a oito anos de prisão, além de sanções administrativas.

Espécie símbolo em risco

A Ararinha-azul, considerada extinta na natureza por mais de duas décadas, voltou a viver na Caatinga graças a um complexo programa de reprodução em cativeiro e reintrodução.

A possibilidade de que um vírus tenha sido introduzido por falhas humanas acende um alerta máximo entre órgãos ambientais, pesquisadores e conservacionistas.

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