Mirelle Pinheiro

Sextorsão: grupo movimenta R$ 4 milhões fingindo ser médico da Otan

Cinco pessoas foram presas pela Polícia Civil do Paraná durante operação deflagrada nesta quinta-feira (21\5)

atualizado

metropoles.com

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PCPR\Divulgação
PCPR
1 de 1 PCPR - Foto: PCPR\Divulgação

Um grupo investigado por aplicar golpes amorosos fingindo ser um médico oncologista em missão de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na Síria, para extorquir mulheres foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) nesta quinta-feira (21/5). Cinco pessoas foram presas.

A organização criminosa transnacional especializada em sextorsão é investigada por extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos, cujas penas podem superar 20 anos de prisão.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e cinco de busca domiciliar em Santa Maria de Jetibá (ES), Jandaia (GO), São Luís (MA), Ielmo Marinho (RN) e João Pessoa (PB). Diversos aparelhos celulares foram apreendidos e serão periciados para subsidiar a continuidade das investigações.

Os crimes

A investigação identificou que o crime começou a ser praticado em 2024. Por meio de redes sociais e, posteriormente, de aplicativos de mensagens instantâneas, a vítima foi contatada por um perfil falso em nome de “David Green”.

O criminoso utilizava fotos de terceiros — já mapeadas como recorrentes em golpes internacionais — e se apresentava falsamente como um médico oncologista em missão de paz da Otan na Síria.

Durante o processo de manipulação emocional, o autor prometia casamento e conquistava a confiança da vítima, induzindo-a ao compartilhamento de fotos e vídeos íntimos.

“Posteriormente, passou a solicitar valores sob diversos pretextos, incluindo supostas despesas com passagens aéreas, detenções e multas relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil”, detalhou Kelvin Bressan, delegado do Núcleo de Investigações Qualificadas da Divisão Policial do Interior da PCPR.

Após a vítima demonstrar desconfiança e relatar dificuldades financeiras, o investigado passou a praticar extorsão na modalidade sextorsão, ameaçando divulgar o material íntimo nas redes sociais caso não recebesse novos pagamentos. A quantia exigida chegou a R$ 20 mil. Ao todo, a vítima teve prejuízo superior a R$ 60 mil.

A investigação da PCPR identificou uma divisão estruturada de tarefas. O núcleo estrangeiro, de caráter operacional, utilizava terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234). Esse grupo era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão.

“Em nível nacional, o núcleo era voltado à lavagem de dinheiro, sendo composto por operadores financeiros responsáveis por ceder contas bancárias para o recebimento, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos mediante conversão em criptoativos”, complementou o delegado.

Em apenas dois meses, foram movimentados quase R$ 4 milhões. Algumas das contas aparecem como beneficiárias em múltiplos boletins de ocorrência registrados em diversos estados do país.

Os dados bancários permitem estimar ao menos 20 vítimas do mesmo esquema criminoso em diferentes estados.

Segundo a polícia, a operação desta quinta-feira (21) teve como objetivo identificar os demais integrantes da rede criminosa, delimitar a extensão dos golpes e buscar a reparação dos danos causados.

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