Mirelle Pinheiro

“Sem Alma”: máfia do Adilsinho recrutou policiais no Rio de Janeiro

Segundo o inquérito obtido pela coluna, Adilsinho comandava a organização criminosa dedicada à comercialização de cigarros paraguaios

atualizado

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Segundo o inquérito obtido pela coluna, Adilsinho comandava a organização criminosa dedicada à comercialização de cigarros paraguaios
1 de 1 Segundo o inquérito obtido pela coluna, Adilsinho comandava a organização criminosa dedicada à comercialização de cigarros paraguaios - Foto: Arte/Metrópoles

As investigações sobre o mercado ilegal de cigarros no Rio de Janeiro apontaram a existência de uma organização criminosa estruturada, com hierarquia definida e atuação armada.

No topo, estaria Adílson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como líder do grupo. Abaixo dele, um “braço de guerra” formado por executores, entre eles policiais e ex-policiais, responsáveis por ataques e homicídios que visavam garantir o monopólio da venda de cigarros contrabandeados.

A apuração da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que esclareceu os assassinatos de Fábio de Alamar Leite e de seu ex-sócio, Fabrício Alves Martins de Oliveira, mostrou a face mais violenta do esquema.

Adilsinho

Segundo o inquérito obtido pela coluna, Adilsinho comandava a organização criminosa dedicada à comercialização de cigarros paraguaios e produtos fabricados sem autorização no Brasil.

A motivação dos homicídios de Fábio e Fabrício teria sido a disputa territorial e a eliminação de concorrentes que atuavam fora de sua autorização.

O relatório descreve Adilsinho como responsável por definir regras, controlar rotas e determinar ações de repressão a quem tentasse operar no mercado ilegal sem sua anuência.

O “braço de guerra”

A investigação apontou que o grupo de executores mantinha ligação com agentes de segurança. O elo entre Adilsinho e essa equipe era o ex-PM Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como Sem Alma, identificado como segurança do líder.

A análise do celular de Sem Alma, obtida a partir de compartilhamento de provas de outro inquérito, o que investigava o homicídio de Marquinho Catiri, detalhou a composição do grupo.

Policiais e ex-policiais integravam o círculo de proteção e execução, alguns com histórico de participação em outros homicídios.

Entre eles:
• Leandro Machado da Silva – policial denunciado pelo homicídio do advogado Rodrigo Crespo, no Centro do Rio.
• PM Thiago Alves Benício – indiciado em três homicídios, incluindo a tentativa contra um policial penal conhecido como Mizinho.

A tentativa de recrutamento

As conversas extraídas do celular de José Ricardo Gomes Simões, indiciado pelo homicídio de Fábio, acrescentaram novos elementos à investigação.

Em uma troca de mensagens, Átila Deive Oliveira da Silva, Sassá, também indiciado como executor, manifesta interesse em integrar o “braço de guerra” de Sem Alma.

Com passagens por tráfico, porte ilegal de arma e sequestro, Sassá procurava uma vaga entre os executores.

Em resposta, Sem Alma demonstra interesse, mas afirma que a decisão final caberia ao “patrão”, referência direta a Adilsinho.

Monitoramento de concorrentes

Outro trecho de conversa entre Sem Alma e José Ricardo mostra fotos de diversas marcas de cigarro, enviadas pelo ex-PM, que questiona quais produtos estariam abastecendo a Baixada Fluminense.

Para a polícia, o diálogo evidencia o interesse de Adilsinho em mapear concorrentes e eliminar quem tentasse operar sem autorização.

A tentativa de atrair Fábio para uma entrega falsa de gelo, menos de um mês antes do assassinato, reforça a estratégia da organização.

Para dar credibilidade ao pedido, Sassá usou um Pix de R$ 500 com nome falso. A emboscada só não foi consumada porque Fábio não saiu da empresa naquele dia.

A decisão judicial

Com base no inquérito, o Ministério Público denunciou Adilsinho, José Ricardo e Átila Deive. A 2ª Vara Criminal da Capital recebeu a denúncia e decretou a prisão preventiva dos três.

Na decisão, a juíza Elizabeth Machado Louro destacou que a quadrilha era “armada e estruturada” e que a gravidade concreta dos crimes justificava a prisão para garantia da ordem pública.

A magistrada ressaltou que a medida buscava impedir a continuidade das atividades ilegais, incluindo ameaças a comerciantes da região.

A prisão preventiva tem válida por 20 anos. Adilsinho já tinha outros dois mandados de prisão em aberto e segue foragido. Nesta semana, ele passou a integrar a lista vermelha dos bandidos mais procurados do país. A lista é feita pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

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