
Mirelle PinheiroColunas

Saiba quem é a influenciadora que inventou sequestro para ganhar likes
Ela foi presa nesta terça-feira (24/3) por forjar o próprio sequestro em abril de 2025
atualizado
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A influenciadora digital presa durante operação deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), na manhã desta terça-feira (24/3), foi identificada como Monniky Fraga (foto em destaque).
Atualmente com 27,3 mil seguidores no Instagram, ela havia denunciado um suposto sequestro em abril de 2025. As investigações, no entanto, concluíram que tudo não passava de uma farsa.
Em seu perfil, Monniky costumava publicar fotos e vídeos da rotina. Agora, porém, a conta está privada, com o conteúdo disponível apenas para seguidores.
O caso
Em abril de 2025, ao forjar o próprio sequestro com o objetivo de ganhar seguidores nas redes sociais, a influenciadora publicou um vídeo em seu perfil detalhando o falso crime — à época denunciado à Polícia Civil de Pernambuco como verdadeiro.
Na gravação ela relatou que ela e o marido haviam sido sequestrados por bandidos, que agiram com violência e exigiram pagamento de resgate.
“Foram horas dentro de uma mata, não sabia se eu ia voltar. Lá tinha um rio e a todo momento eu pensava: ‘Eles vão me matar e vão me jogar aqui dentro e eu nunca mais vou ver ninguém’. Na minha cabeça, eu só pensava nos meus filhos; Ameaçaram o tempo todo: ‘Vou atirar no joelho, vou atirar no pé’, mas eu supliquei tanto que nada aconteceu”, disse, aos prantos.
No relato, ela ainda afirmou que os supostos criminosos cobravam correntes de ouro que ela havia postado em seu perfil nas redes sociais.
Ocorre que, após Monniky denunciar o sequestro, investigadores da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) constataram que tudo não passava de uma mentira para tentar angariar seguidores.
A prisão
Ao longo das investigações, os policiais reuniram elementos que indicavam que a denúncia poderia ser falsa. Após diligências e oitivas, com apoio do setor de inteligência, foi constatado que se tratava de uma trama arquitetada pela própria mulher.
Batizada de Operação Cortina de Likes, a ação policial, deflagrada nesta terça-feira (24) pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), cumpriu dois mandados de prisão e dois de busca e apreensão nas cidades de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, João Pessoa (PB) e Várzea Paulista (SP).
O delegado Jorge Pinto detalhou que foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, dos três expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Igarassu. “Um deles não foi executado porque um dos investigados faleceu antes da decisão judicial, ao longo das investigações.”
A trama foi pensada de maneira coordenada, de acordo com o delegado. “Foram utilizados veículo clonado e arma de fogo para dar contorno de veracidade à trama, que mobilizou todo o aparato da Polícia Civil de Pernambuco. As investigações seguem, e dispomos do prazo de dez dias para concluir o inquérito policial. Uma vez encaminhado ao Ministério Público, acreditamos que ela venha a ser denunciada, caso esse seja o entendimento do órgão.”
“Isso não é uma brincadeira. Entendemos que essa conduta precisa ser coibida, pois configura crime e, quando há o acionamento de toda a nossa unidade, que responde por todo o estado, isso coloca em xeque não só as instituições públicas, mas também o aparato operacional da delegacia”, alertou o delegado.
A coluna tenta contato com a defesa da investigada. O espaço segue aberto.






