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Mirelle Pinheiro

Réu por espancar médico em frente a boate vai a júri após 8 anos

Rafael Bicalho vai a júri nesta quinta-feira (27/3), acusado de um crime ocorrido em 2016, na porta de uma boate em Belo Horizonte

26/03/2025 05:00, atualizado 26/03/2025 08:39
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Reprodução
Réu por espancar médico em frente a boate vai a júri após 8 anos

Após mais de oito anos arrastando-se na Justiça, o caso do espancamento ocorrido na porta de uma boate localizada no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, pode finalmente ter um desfecho nesta quinta-feira (27/3). O engenheiro Rafael Batista Bicalho será julgado pelo Tribunal do Júri, no Fórum Lafayette, por tentativa de homicídio duplamente qualificado — por motivo fútil e uso de meio cruel. Ele é acusado de espancar o médico Henrique Papini (foto em destaque), em 7 de setembro de 2016. À época, ambos eram universitários, e o caso ganhou grande repercussão na mídia.

Desde então, Papini passou a conviver com surdez no ouvido esquerdo e paralisia facial. Nas redes sociais, familiares e amigos da vítima clamam por justiça e defendem que Bicalho deve ser condenado por tentativa de homicídio.

Por meio de nota, a defesa da família da vítima informou que “as condutas perpetradas por Rafael Bicalho, são indiscutivelmente absurdas e inaceitáveis. Em uma ação livre e consciente promoveu agressões bárbaras que tiveram como consequência o risco iminente de morte para Henrique Papini.”

Por outro lado, a defesa de Bicalho sustenta que não houve tentativa de homicídio. “Esperamos que o conselho de sentença reconheça, no júri, que houve uma briga e uma confusão, mas que não passou disso”, afirmou Zanone Júnior, advogado do réu.

Zanone lembrou que, além de ter sido preso, Bicalho usou tornozeleira eletrônica e pagou quase R$ 500 mil em indenização. “Antes do júri, a vítima foi ressarcida. Rafael vendeu carro, lotes, se endividou para pagar o valor estabelecido. É uma pessoa que está arrependida e cumpre à risca as medidas protetivas. Não vou passar a mão na cabeça do meu cliente, mas quero uma condenação justa”, afirmou. O advogado informou ainda que Rafael preferiu não dar entrevista, pois tem enfrentado crises de ansiedade devido à proximidade do julgamento.

O crime

Na época do crime, Rafael Bicalho, então com 19 anos, namorava uma estudante de medicina. Circulavam boatos de que Henrique Papini, com 22 anos e também estudante do curso, teria se envolvido com a jovem.

Segundo Zanone, ao tomar conhecimento da suposta relação entre os dois, Bicalho passou a ser insultado e alvo de apelidos por parte de Papini, o que teria motivado a agressão naquela noite.

Papini foi atingido por um chute na cabeça, caiu e desmaiou em seguida. Quase nove anos após o crime, o hoje médico anestesiologista ainda sofre com sequelas permanentes decorrentes da agressão.

Revolta

O perfil mantido pela família de Papini nas redes sociais reúne quase 5 mil seguidores e já soma mais de 20 publicações desde fevereiro deste ano.

Em um post publicado na última terça-feira (25/3), a família escreveu: “Daqui a dois dias, finalmente, Rafael Bicalho será levado ao Plenário do Júri. Este é um momento crucial para que a justiça seja feita e para que o ato absurdo e injusto cometido por ele seja devidamente punido.” A publicação termina com um convite para que todos que quiserem compareçam à porta do tribunal antes do julgamento.