Réu por espancar médico em frente a boate vai a júri após 8 anos
Rafael Bicalho vai a júri nesta quinta-feira (27/3), acusado de um crime ocorrido em 2016, na porta de uma boate em Belo Horizonte

Após mais de oito anos arrastando-se na Justiça, o caso do espancamento ocorrido na porta de uma boate localizada no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, pode finalmente ter um desfecho nesta quinta-feira (27/3). O engenheiro Rafael Batista Bicalho será julgado pelo Tribunal do Júri, no Fórum Lafayette, por tentativa de homicídio duplamente qualificado — por motivo fútil e uso de meio cruel. Ele é acusado de espancar o médico Henrique Papini (foto em destaque), em 7 de setembro de 2016. À época, ambos eram universitários, e o caso ganhou grande repercussão na mídia.
Desde então, Papini passou a conviver com surdez no ouvido esquerdo e paralisia facial. Nas redes sociais, familiares e amigos da vítima clamam por justiça e defendem que Bicalho deve ser condenado por tentativa de homicídio.
Por meio de nota, a defesa da família da vítima informou que “as condutas perpetradas por Rafael Bicalho, são indiscutivelmente absurdas e inaceitáveis. Em uma ação livre e consciente promoveu agressões bárbaras que tiveram como consequência o risco iminente de morte para Henrique Papini.”
Por outro lado, a defesa de Bicalho sustenta que não houve tentativa de homicídio. “Esperamos que o conselho de sentença reconheça, no júri, que houve uma briga e uma confusão, mas que não passou disso”, afirmou Zanone Júnior, advogado do réu.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroZanone lembrou que, além de ter sido preso, Bicalho usou tornozeleira eletrônica e pagou quase R$ 500 mil em indenização. “Antes do júri, a vítima foi ressarcida. Rafael vendeu carro, lotes, se endividou para pagar o valor estabelecido. É uma pessoa que está arrependida e cumpre à risca as medidas protetivas. Não vou passar a mão na cabeça do meu cliente, mas quero uma condenação justa”, afirmou. O advogado informou ainda que Rafael preferiu não dar entrevista, pois tem enfrentado crises de ansiedade devido à proximidade do julgamento.
O crime
Na época do crime, Rafael Bicalho, então com 19 anos, namorava uma estudante de medicina. Circulavam boatos de que Henrique Papini, com 22 anos e também estudante do curso, teria se envolvido com a jovem.
Segundo Zanone, ao tomar conhecimento da suposta relação entre os dois, Bicalho passou a ser insultado e alvo de apelidos por parte de Papini, o que teria motivado a agressão naquela noite.
Papini foi atingido por um chute na cabeça, caiu e desmaiou em seguida. Quase nove anos após o crime, o hoje médico anestesiologista ainda sofre com sequelas permanentes decorrentes da agressão.
Revolta
O perfil mantido pela família de Papini nas redes sociais reúne quase 5 mil seguidores e já soma mais de 20 publicações desde fevereiro deste ano.
Em um post publicado na última terça-feira (25/3), a família escreveu: “Daqui a dois dias, finalmente, Rafael Bicalho será levado ao Plenário do Júri. Este é um momento crucial para que a justiça seja feita e para que o ato absurdo e injusto cometido por ele seja devidamente punido.” A publicação termina com um convite para que todos que quiserem compareçam à porta do tribunal antes do julgamento.





